sábado, 25 de julho de 2009

A galinha, o porco e o colaborador.




Eis que um padre em uma de suas andanças se encontra no limiar da inanição quando é socorrido por um fiel que lhe oferece uma omelete.
Vejam bem... Na confecção da omelete, a galinha colabora com o ovo que ela pôe e sai cantando alegremente sem se preocupar com o que pode ou não ocorrer com ele. Ela é uma colaboradora involuntária e não está nem aí para o ovo e muito menos para o padre.
Já o porco coopera com a banha e para que a omelete salve a vida do padre, o porco perde a sua. O porco está comprometido com a omelete assim como nós estamos comprometidos com a empresa que nos oferece qualidade de vida e segurança em retribuição ao nosso trabalho, dedicação e esforço. Nós somos os responsáveis pelo seu crescimento e sucesso.
A empresa pela qual nos dedicamos não é uma instituição que necessite de colaborações. Existe uma inter dependência, sem favorecimentos, que sustenta o mútuo respeito e nos faz orgulhar de sermos seus funcionários obedientes a uma hierarquia pré determinada.


Nosso ego não necessita ser polido por isto.

O combate hipócrita


Não nasci fumante, e tabagismo não é hereditário. Portanto sou fumante por opção e conheço as conseqüências inerentes.
Na minha juventude fui induzido, por modismo social, a dançar Rock in Roll, apreciar a Bossa Nova, vestir calças Saint Tropez e a fumar. Fiz parte da geração Beatles, fã de Elis, Vinícius, Dorival e Toquinho, apreciador de esportes radicais como automobilismo, alpinismo e hipismo, todos patrocinados por grandes marcas de cigarro; Dunhill, Marlboro, John Player Special. Admirava grandes estadistas como Churchill, Fidel e Mussolini e outros fumantes. Nenhum outro tipo de droga, permitida ou não, fazia parte deste contexto, por isso não me tornei maconheiro nem alcoólatra.
Por inapetência física e mudanças sociais fui forçado a abandonar alguns destes prazeres como dançar Rock e vestir calças Saint Tropez, mas continuo apreciando Bossa Nova e ainda sou fumante mesmo conhecendo suas mazelas.
Hoje a sociedade combate, acirradamente o tabagismo com todas as armas possíveis. Proibiu o ato de fumar em todos os ambientes públicos e privados fechados ou não, meios de transporte, escolas, industrias e está inibindo a contratação de fumantes até em empresas privadas em nome dos bons costumes. Mesmo discriminando o usuário do fumo como causador de males sociais, continua financiando sua plantação e ainda não fechou as portas da Sousa Cruz.
O mesmo tratamento não é dispensado aos amantes dos licores de Baco.
Todos os políticos, empresários, religiosos e autoridades conhecem os efeitos do alcoolismo.
Não existe o alcoólatra passional mas, no transito, o alcoolizado mata abstêmio e crianças. Nas delegacias de mulheres existem numerosas queixas de esposas não alcoólatras espancadas por seus maridos bêbados.
Há muita dissolução de casamentos causada por alcoolismo. Algumas por falta de proventos inerentes ao fato.
O alcoolismo sempre está associado a prejuízos materiais, degradação moral e desvio de caráter. O alcoólatra não pode ser considerado um doente, assim como o fumante também não é. Mas não lhes imputaram a mesma pena. O alcoólatra é socialmente aceito.
Há dois extremos. Não existe associação de fumantes anônimos mas existem faculdades de ensino preparando conhecedores de bebidas no intuito de informar aos leigos quais tipos harmoniza com isto ou aquilo e em qual momento ou ocasião deve ser apreciada. Algumas destas garrafas atingem valores estratosféricos se tornando objetos de curiosidade e desejo.
Há algum tempo ficou proibida a propaganda de cigarro através de todos os meios de comunicação, obrigando também, o fabricante a imprimir nos rótulos de seus produtos uma série de malefícios na intensão de coibir seu uso, e surtiu efeito.
Estes mesmos meios de comunicação estão fazendo propaganda de bebidas alcoólicas em horário nobre, com apelo sexual, explorando a alta taxa de testosterona latente nos jovens induzindo o consumo de álcool.
Esta sociedade que instiga se torna hipócrita e amoral quando se esquece que é dirigida por um alcoólatra e castiga severamente condutores de veículos flagrados no trânsito com qualquer teor de álcool no sangue. Um bêbado não pode guiar um carro,mas pode conduzir um País.
A próxima geração não será fumante nem alcoólatra mas corre sério risco de se tornar GLS.
Aí seremos obrigados a presenciar beijos, abraços, afagos e outras manifestações de prazeres ainda inaceitáveis. É evidente que existem inúmeros comportamentos inatacáveis em privados, apesar de serem inofensivos, e que banimos na maioria dos espaços públicos pelo simples fato de representarem um incômodo para os outros. Cozinhar na calçada, cortar o cabelo num avião de passageiros ou levar a jibóia de estimação ao cinema são alguns exemplos de liberdades privadas que não se traduzem em virtudes públicas.
Existem prazeres impagáveis que se tornam vícios discriminados sem serem compulsivos e só são apreciados por aqueles cuja sensibilidade conseguem distinguir as diferenças entre o fazer sexo para procriar e o prazer do ato, comer para saciar a fome ou se deliciar do fato.
Apreciam as delícias de um bom vinho, um bom charuto, um chocolate ou mesmo um cafezinho com seus aromas e seus sabores. Usam suas papilas gustativas, seus olfatos e seus hormônios fazendo jus às bênçãos dada mesmo sabendo que seus vícios prazerosos são, também, maléficos a sua saúde. São condenados e injustiçados por haverem danificados seus órgãos ainda em vida, mesmo que esses velhos órgãos não sirvam para transplantes.
Mas, há aqueles que preferem morrer como um padre, com o câncer da abstinência. Passaram pela vida, não viveram e a morte não quis saber da qualidade de seus órgãos. Foram socialmente corretos, mas levaram o farelo do mesmo jeito.
A influência da fé nas nossas leis penais tem um preço considerável. Na realidade, há muitas substâncias cujo consumo leva a estados transitórios de prazer imoderado e, ocasionalmente, também podem conduzir a estados transitórios de indigência, mas não há dúvida de que o prazer é a norma. De outro modo os seres humanos jamais teriam sentido o desejo continuado de tomar regularmente, há milênios, estas substâncias. Quanto às proibições na sua totalidade, o único princípio organizador que parece fazer sentidos entre elas é que qualquer coisa que possa ofuscar radicalmente a religiosidade e a sexualidade reprodutiva como fonte de prazer seja considerada ilegal. As preocupações com a saúde dos cidadãos, ou com sua produtividade, são meros pretextos neste debate, como a ilegalidade dos cigarros comprova.
Claro que o problema destas substâncias é justamente o prazer, já que a religiosidade e o prazer nunca se deram bem.
Uma pessoa que acredita que Deus nos observa do lado de lá das estrelas defenderá sempre que punir pessoas pelos seus prazeres privados é algo de perfeitamente razoável. Talvez devêssemos encontrar melhores motivos para privar nossos vizinhos da sua liberdade, dada a magnitude dos verdadeiros problemas que enfrentamos. Nossa guerra ao pecado é tão clamorosamente insensata que se torna difícil comentá-la com bases racionais.
Se é certo que existe uma oposição entre a razão e a fé, veremos que o mesmo não se pode dizer da razão e do amor ou da razão e da espiritualidade. Todas as experiências que um ser humano possa ter admitem uma discussão racional sobre suas causas e conseqüências ou sua ignorância a esse respeito. Embora isto nos deixe uma margem considerável para o exótico, não deixa, porém o menor espaço para a fé.
Não é por acaso que as pessoas de fé tendem a restringir a liberdade dos outros. Não percebem que suas proibições contra o prazer não tem nada a ver com a proteção do próximo relativamente a ameaças físicas ou psicológicas, mas sim com a preocupação de não despertar a ira divina.
Este impulso tem menos a ver com a história da religião e mais com sua lógica, por que a própria idéia de privacidade é incompatível com a existência de Deus. Se Deus tem o dom de ver e saber todas as coisas e continua a ser uma criatura provinciana a ponto de se escandalizar com certos comportamentos sexuais ou estados do cérebro como o prazer, então aquilo que as pessoas fazem em público na sua individualidade ou na privacidade de suas casas, embora não tenham a mais leve implicação no seu comportamento social, continuará a ser uma questão de preocupação pública para as pessoas de fé e hipócritas.
Parei de fumar a cinco meses por vontade própria, não por imposição.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Esquerdista de Direita

No século XVIII, durante a Revolução Francesa, entram em cena nas assembléias revolucionárias os girondinos e os jacobinos.
Os girondinos eram moderados no combate ao que restava da realeza e se sentavam à direita.
Os jacobinos eram radicais, defendiam a guilhotina para o rei e se sentavam à esquerda. A distância ideológica batizou as duas correntes.
No Brasil existiram as duas correntes. A esquerda sempre fez oposição ao governo. Foi socialista, comunista, anarquista e social democrata. A direita presidiu o país por longo tempo, foi religiosa, nacionalista, militarista e liberal. Cultura da elite patrimonialista em que a tradição é o privado de apropriar do público e viver às custas dos subsídios do estado.
Hoje a esquerda ocupa o poder atingindo seu objetivo: a ditadura do proletariado.
Aprendeu mal a governar cometendo os mesmos erros sem o manto que acobertava a corrupção da direita, hoje inexistente.
Sem oposição, a esquerda festiva governa um país de dimensão continental com solo riquíssimo em minerais, agricultura forte e uma das melhores pecuárias de corte do mundo.
Tem 65,8% de pobres indigentes em sua população.
Tem a maior taxa tributária conhecida.
Tem o maior índice de corrupção e violência.
Tem o turismo sexual como fonte de divisas.
Acaba de conquistar a média nacional de 3,6 no Ensino Fundamental e cresce 2,8% ano.
Esta esquerda festiva é representada por um anarquista inerte e analfabeto no segundo mandato consecutivo e quer criar duas classes sociais: a nobreza política, na qual hoje ele pertence, e a plebe analfabeta da qual ele se originou.
Sua virtude consiste na corajosa proteção ao proletário, indigente, invasor e outros excluídos que formaram sua heterose. Como são maioria, sustentam sua popularidade. Dos seus projetos, o do combustível limpo pode alcançar sucesso, pois governante algum é tão experiente quando o assunto é álcool.
Até que um jacobino peça a guilhotina para o bobo da corte.
Sua cabeça cairá fora do cesto.

O Lado ou a Parte


“Não ser parte” está longe de não ter lado. Tenho meu lado e sou parte de mim mesmo.
Não sou fundamentalista, não faço parte de torcidas, não entro em filas para receber e muito menos para pagar. Sou agnóstico, apartidário, não pertenço a nenhum tipo de manada e ninguém me apascenta. Não fui criado à imagem e semelhança de ninguém, nem ficarei ao lado direito ou esquerdo de alguém por ter sido eleito ovino ou caprino.Sou uma ínfima parte desta evolução continuada, descoberta por Darwin, onde todos os seres vivos tem a mesma ameba como origem.
Tenho simpatia natural por aqueles que preferem andar na contramão. Não tenho nada a defender e me envaideço da minha vida de pobre com liberdade. Há anos eu sou liso e livre à-toa.
Mentiria se dissesse que me orgulharia em desfilar de punho erguido ao som do Hino Nacional, não me sentiria satisfeito em acompanhar o Círio de Nazaré (uma das maiores e mais tradicionais festas religiosas do Brasil realizada no Pará) agarrado à corda nem seria ministro de qualquer seita ou dissidência. Muito menos ser, simplesmente, simpatizante de um partido que adotou todo o tipo de falcatrua como método de governo.
Não ter partido político ou religião é não ter lado? O risco de ter um lado para a democracia ou para a crença é maior do que não ter nenhum igualando desiguais. Onde está o elemento que aclama a inteligência e nos faz evoluir? Nas diferenças ou nas igualdades? Não se pode falar daquelas sem reconhecer estas, mas é perfeitamente possível evidenciar estas fazendo tábua rasa daquelas. Está aí uma das diferenças entre a inteligência e a estupidez.
Grande número de indivíduos que se julgam exemplares da raça humana formam grupos, ora políticos, ora religiosos, procurando igualdades no comportamento, no ideal e na filosofia tanto para o bem quanto para o mal. Se julgam os donos da verdade e alguns acham que herdarão um reino no céu, não aceitam divergências e normalmente tem líderes. Não descobriram que seus ganidos são ignorados pela natureza e continuam tentando provar o improvável .Não obstante existem aqueles que, apesar de viverem na mesma sociedade, não exercitam seu lado primata, tem filosofias únicas e raramente são maus. Mesmo sendo discriminados, perseguidos ou castigados dão contribuições substanciais através de suas experiências ponderáveis para várias ciências.
Temos em nosso DNA o equivalente a 99,4% do material genético encontrado no genes do primata Bonobo da família dos chimpanzés. Assim, é inegável, a existência de um macaco em nós.
É assustador descobrir que tenhamos evoluído todo o resto com apenas estes 0,6%. E é nesta parte ínfima que está o ser que pondera. Toda criação é ascendente, ou seja; ocorre de baixo para cima e dá-se a isto o nome de evolução. É inaceitável acreditar que a raça humana foi criada no sentido inverso e fadada a involuir. A ascenção ou queda de qualquer espécie é fruto do seu livre arbítrio, ou não. No caso da espécie humana, é. A raça humana não está involuindo, está entrando em colapso e este colapso não pode ser considerado um castigo nem uma benção. É a lei natural que rege a extinção de algumas espécies que não fizeram seus deveres , facilitando o surgimento de outras. É a natureza seguindo sua trajetória indefinida e inexplicável nos envolvendo com sua indesvendável existência.
A raça humana continua incentivada a reproduzir párias em progressão geométrica e se organizam em bandos praticando infanticídios, assassinatos, seqüestros, estupros, assaltos e outras barbaridades que os Bonobos abominam. Odeio bandos, odeio manadas, odeio miríades e nem guilda eu freqüento por desconhecimento. Parte do meu intelecto teme o pluralismo de um lado só. Já os indivíduos na sua singularidade me interessam. Não sou anti-social mas minha confraria se resume em poucos dígitos.
Posso até ter um lado primata, mas a outra parte é conservadora. Pode?... Pois é.

domingo, 5 de julho de 2009

Dicotomia


No principio a igreja receava dizer que cristo instituíra um modelo de vida ao qual cada um de nos poderia aspirar. Embora isso fosse exatamente o que estava nas escrituras. Receava que esta posição desse poder demais ao indivíduo. Então perpetuou-se, a contradição. Por um lado os clérigos instigavam os fieis a buscarem em si mesmo o reino de Deus, a intuírem a vontade de Deus e a se deixarem invadir pelo espírito santo. Mas por outro lado condenavam como blasfêmia toda e qualquer discussão que tentasse esclarecer como se chegar a esses estados. Muitas vezes recorrendo a assassinatos para manter seu poder.
Os criadores destas religiões intuíram que Deus era mais que um personagem. Era uma força, uma consciência que só poderia ser encontrada em sua plenitude quando se atingia o que eles descreviam como uma experiência de iluminação. Em vez de usar a vida de Cristo como exemplo a ser seguido por cada um, a igreja ou religião constituiu sua doutrina em torno de hierarquia poderosa dos clérigos que se impunham como mediadores, concessionários do Espírito Santo para o povo.
Por que cada religião, uma forma de oração? Se Deus é um só...
Por que temos que suplicar sua ajuda ou induzi-lo a fazer alguma coisa? Se tudo foi escrito e ele é onipotente, onisciente e etc. Sabemos o que é pecado.
O único cancro é o pecado original que “aos olhos da igreja” o mundo parece contaminado e corrompido desde o berço.
Este complexo de culpa cria problemas de discernimento insolúveis. Se aceitarmos sem recalcitrância poderemos atrair indulgência?
A bíblia na contem um só pensamento religioso ou moral que já não estivesse contido de uma ou de outra forma, nas sagradas escrituras, tanto de religiões mais antigas como contemporâneas: Budismo, Hinduismo, Taoísmo.
Vele a pena lembrar que se Deus criou o mundo e todas as coisas que nele existe, criou também a varíola, a lepra e a peste. Se mandou seu filho com poderes para curá-las deveria também ter-lhe dado o poder de extinguí-las.
Se Jesus curou um paralítico, porque não erradicou a paralisia infantil? Se ele curou um leproso, porque não exterminou a hanseníase? Qual foi o tamanho dessa contribuição para as gerações subseqüentes? Sabin e Carlos Chagas contribuíram bem mais.
Nenhum Deus perfeito manteria tais incongruências . Qualquer criatura que lançasse intencionalmente tais horrores sobre o mundo seria reduzida a cinzas pelos seus crimes, e não adorada.
O que é assombrosamente perverso na evolução natural é que os próprios mecanismos que criaram a incrível beleza e a diversidade do mundo vivo são também aqueles que promoveram a monstruosidade bestial. A criança que nasce sem membros, sem cérebro, cega e as espécies desaparecidas não são mais do que mero barro moldado e destruído pela mãe natureza.
Jesus prometeu a ressurreição do corpo, não uma vida eterna como consciência desencarnada. A respeito disso, seus seguidores sempre desprezam a carne. Sua crença de que estão assinalados e separados do resto da criação por terem uma alma imortal levou-os a repudiar o destino que partilham com outros animais. Eles não precisam de um propósito na vida. Uma contradição em si mesmo. O animal humano não pode passar sem um.
Para aqueles que acreditam em Deus ou numa inteligência cósmica seria blasfêmia supor que o universo foi criado sem um propósito ou plano, que a raça humana foi posta em existência simplesmente para comer, beber e divertir-se com o extravagante desperdício de recursos da terra tanto minerais quanto orgânicos. Deve haver um motivo mais nobre pelo qual a inteligência foi conferida à humanidade. Se é que foi .
Empinas o nariz por quê? Julgas-te superior ao quê? És um arremedo de vegetal, és socialmente inferior a uma formiga e menos inteligente do que uma abelha, para a natureza um cupim é mais importante que você. Tens orgulho do quê? Destape o rabo, solte o ar da arrogância e comece a ter noções de grandezas .
Somos macacos nus com a pretensão de criatura divina, que por isso temos o direito de exterminar outras espécies animais ou vegetais por conveniência, antipatia ou pelo simples fato de desejar uma bolsa com seu couro ou uma sopa com sua barbatana sem conhecer sua importância para o mesmo ambiente.
Céu e terra não tem atributos e não estabelecem desigualdades. Tratam as miríades de criaturas com indiferença.
Temo, respeito e suponho existir uma energia superior que pode ser chamada Deus. O resto tem que se mover e fazer sombra.
Já me arrependi de, na infância, ter sido crédulo. Havia-me deixado arrastar pela paixão da mente de minha avó materna. A credulidade.
Creio que nos tornamos naquilo que nossos pais nos ensinaram em tempos idos, quando não se preocupavam em educar-nos. Formamo-nos por descartes de sabedoria. Não é que não acredito em nada. Não acredito é em tudo. Creio numa coisa de cada vez, e numa segunda apenas se esta de certa maneira descende da primeira. Acredito em duas coisas que não estejam juntas com a idéia de que em alguma parte deve haver uma terceira oculta que as integram.
Procedo de maneira míope, metódico e não arrisco horizontes. A incredulidade não exclui a curiosidade, corrobora-a. Deduzo que daí nasce a inteligência.

EPMURAS

Nos julgamentos de raças zebuínas de corte todos os juízes da ABCZ usam como base esta seqüência de letras: EPMURAS.
Elas são analisadas individualmente em cada animal participante daquela prova para que o melhor conjunto seja classificado.
Qualquer juiz tem em mente o modelo do animal perfeito ou o conjunto ideal. O olho humano é a melhor e mais antiga ferramenta de seleção bovina. Não existindo nenhum instrumento capaz de ser tão integrador. Estes julgamentos, ou classificação tem como objetivo o melhoramento genético do rebanho, redução de custos, enfim... Só melhorar.
As sete características avaliadas para este programa de melhoramento são:
(E) – Estrutura corporal
Prediz visualmente a área que o animal abrange visto de lado, comprimento corporal e profundidade de costelas. Notas de 1 a 6.
(P) – Precocidade
Animais precoces permanecem menos tempo no pasto ou confinamento, encurtando o ciclo de produção e conseqüentemente aumentando os lucros. Nota de 1 a 6.
(M) – Musculatura
Animais mais musculoso e com músculos bem distribuídos além de pesarem mais, apresentam melhor rendimento e qualidade de carcaça. Notas de 1 a 6.
E, P e M nos permitem uma concepção espacial do animal, pois a característica E analisada em conjunto com a característica P irá indicar as proporções dos lados deste retângulo. Ao incluirmos a característica M, daremos a terceira dimensão. Esse paralelepípedo formado será a estimativa do volume. Esta concepção se torna mais precisa visivelmente quando se acrescenta peso e altura. Notas de 1 a 4.
(U) – Umbigo
É avaliado a partir de uma referência do tamanho e do posicionamento do umbigo. Serão penalizados os indivíduos que apresentam prolapso de prepúcio. Notas de 1 a 4.
(R) – Caracterização racial
Todos os itens previstos nos padrões raciais do animal julgado devem ser considerados. O tipo racial é um distintivo forte e tem valor de mercado, justificando sua inclusão em qualquer programa de melhoramento. Notas de 1 a 4.
(A) – Aprumos
Serão avaliados através das proporções, direções, angulação e articulações dos membros anteriores e posteriores. Notas de 1 a 4.
(S) – Sexualidade
Busca-se masculinidade nos machos e feminilidade nas fêmeas. Estas características estão diretamente ligadas a eficiência reprodutiva do animal. Notas de 1 a 4.
Os animais que obtiverem notas muito baixas na metade da avaliação geral, normalmente são desclassificados.
É na cabeça que se encontram as regiões que definem, quanto ao tamanho, posição e conformação a que grupo racial pertence o animal. Chamamos isto de expressão racial.
O conceito desta busca pela eficiência é identificar os animais que apresentam a melhor harmonia nas características econômicas de interesse, inseridas em um plano maior de relações com outras atividades.
Se... Os eleitores brasileiros usassem esta mesma metodologia para julgamento de seus políticos. Como seria essa busca pela eficiência?
Peço desculpas aos grandes raçadores como: Rastã, Ludy, Visual, Big Ben, Idílio e Fajardo, entre muitos pela comparação chinfrim. Vou julgar um político. O nosso presidente eleito por duas vezes consecutivas.
Na característica E ele tem nota 1. Sua estrutura corporal é nanica, barrigudo, atarracado e tem membros inferiores diminutos, dificultando assim sua mobilização. Por isso o uso excessivo de aeronaves.
Na característica P sua nota é a maior, nota 6. Não aniversariou no primeiro e único emprego. Tem o menor tempo de contribuição sindical. Foi o desocupado mais bem pago do país e educou filhos na Europa com aposentadoria de metalúrgico. Saiu, de sindicalista a presidente da República sem ser vereador, prefeito, deputado ou senador de expressão.
Quando foi eleito entrou mudo e saiu calado, e sua ascensão foi meteórica.
Na característica M a nota também é 1. Que musculatura tem um jogador de porrinha, dominó, damas ou levantamento de copos?
Na característica U a nota também é 1. Pobres no nordeste nascidos onde todos os partos são assistidos por parteiras, as crianças tem o umbigo tufado para fora. Prolapso. Ele não pode ser exceção.
Na característica R sua nota, com otimismo, é 1. Sua raça é indefinida, tem orelhas espalmadas, a da direita é levemente prócera e a da esquerda é totalmente opistócera, sua ganacha é saliente e tem o chanfro torto. Sua cabeça não tem expressão de nenhuma raça que, por ventura, formou seu biotipo.
É um mestiço e se fosse bovino seria chamado pé duro.
Na característica A sua nota melhorou um pouco, vou dar 2, apesar de ser junteiro e aberto de frente, tem os pés cambaios e é náfego.
Na característica S sua nota também é 2. Pois apesar de nordestino fez poucos filhos. Talvez devido a característica A ou a falta de genética. A fertilidade é transmissível.
Na característica P (precocidade), ele provou que é raçador. Imprimiu na prole. Seu filho aprendeu multiplicação geométrica com precocidade ímpar. Parece ser mesmo genético, veja os irmãos.
Na próxima eleição vou votar como se julga zebu e analisarei a característica racial e a precocidade com mais carinho, já que o conceito desta minha busca é pela eficiência de identificar os políticos que apresentarem melhor harmonia nas propostas de melhoramento do nosso I.D.H. Certamente serei premiado.

Os dez mandamentos


Os dez mandamentos é a única passagem bíblica em que o criador sentiu necessidade de escrever pessoalmente suas leis. Com fogo as imprimiu na pedra.
Poderíamos esperar que fossem mais profundas e grandiosas.
Os seus dez mandamentos principais não aparecem como uma lista organizada de ordens e obrigações. Os três primeiros, sem necessidade de citar, são variações do mesmo, nos quais Deus insiste em seu próprio primado, sua exclusividade, auto-afirmação e egoísmo. Nega a idéia moral de que as crianças são inocentes dos crimes dos seus pais castigando-os até a quarta geração. O quarto mandamento determina a proibição do trabalho aos sábados. Um dia após o término da criação abrindo espaço para especulações quanto ao oitavo dia. Como se tudo tivesse sido feito as pressas. A desobediência de qualquer um seria punida com a morte.
Podemos nos perguntar até que ponto esses preceitos são vitais para a manutenção da civilização.
O quinto exige que honre teu pai e tua mãe não pelo seu valor em si mas afim de que “se prolongue os dias na terra que o senhor teu Deus te dá”. Como se fosse um melzinho na chupeta. Gastou fogo à toa.
Do sexto ao nono de fato trata-se da moral. Aí vêm os famosos nãos que proíbem explicitamente assassinatos, adultério, roubo e falso testemunho, justificando o uso da Bíblia em tribunais onde o cristianismo é o credo.
Finalmente, o décimo que deveria ser a maior de suas preocupações e conhecimentos, é um veto à cobiça, proibindo o desejo por casa, escravos, bois, jumentos e outros bens do teu próximo.
Seria difícil encontrar maior prova de que a religião é criação do homem.
Admoestações desse tipo são encontradas em praticamente todas as culturas na história humana registrada. Não há nada especialmente incisivo na maneira como são apresentadas na Bíblia. Ela é uma história do que não aconteceu, escrita por alguém que não esteve lá.
Existem razões biológicas óbvias pelas quais as pessoas tendem a tratar bem seus pais e a fazerem mau juízo dos assassinos, adúlteros, ladrões e mentirosos. É um fato científico que precede qualquer contato com as escrituras.
Estudos sobre o comportamento dos macacos revelam que estas emoções são anteriores a existência da própria humanidade. Os chimpanzés, em especial, demonstram muitas das complexas preocupações sociais que esperaríamos encontrar em nossos semelhantes, inclusive nos mais próximos.
Os primatas, “nossos primos”, demonstram parcialidade para com sua própria família ou tribo, e de modo geral não toleram o assassinato e o roubo. Também não gostam de trapaças nem de traições sexuais. Até os símios se submetem a privações extraordinárias para evitar o sofrimento de outros membros de sua espécie. A preocupação com o outro não foi inventada por nenhum profeta.
É inadmissível pensar que o criador do nosso universo, ao encerrar seu tratado, não conseguiu pensar em nenhuma preocupação humana mais premente e duradoura do que cobiçar escravos e animais domésticos.
Com um pouco mais de inteligência seria possível melhorar os dez mandamentos como afirmação de moralidade. Bastaria uma frase simplificada: não fazer ao próximo o que não aceitasse ser feito a si próprio.
Mahauira, o patriarca jainista, superou a moralidade bíblica com uma única frase: “Não ferir, abusar, oprimir, escravizar, insultar, atormentar, torturar ou matar nenhuma criatura ou ser vivo”.
Os cristãos, abusaram, oprimiram, escravizaram, insultaram, atormentaram, torturaram e mataram seus semelhantes durante séculos em nome de Deus, com base em uma leitura teologicamente defensável da bíblia.
É impossível se comportar dessa maneira aderindo aos princípios do Jainismo.
Como, então, argumentar que a Bíblia oferece a expressão mais clara da moralidade?
Se existem leis psicológicas que governam o bem-estar humano, conhecer essas leis nos proporcionaria uma base duradoura para uma moralidade objetiva sem requerer a existência de um Deus legislador.

Solução inteligente ou Síndrome de Asperger?

Em meados do século XIX entra em decadência o poderoso império Austro-Húngaro esvaziando os cofres reais. Os soberanos, que dependiam da lealdade dos seus súditos e não tinham dinheiro para comprá-la, passaram a distribuir títulos de nobreza aos plebeus. Solução inteligente.
Assim, o Luiz que vendia laranjinha virou o Visconde de Lulalá e continuou leal à nobreza. Afinal, agora ela fazia parte dela. Só que o império Austro-Húngaro se desmoronou alguns anos depois quando os novos nobres perceberam, que apesar dos títulos continuavam tão pobres quanto antes.
Na mesma época, aqui no Brasil ocorre o inverso. Com a elitização do militarismo surgem os coronéis de patente comprada, principalmente no nordeste. Mas, hoje no Brasil do século XXI com o IDH abaixo do Chile, Argentina, Cuba, Uruguai e Costa Rica. Estamos assistindo a derrocada do ensino fundamental e médio fruto da decadência política dos últimos 20 anos. Como se isto não bastasse, acabamos de eleger o plebeu, analfabeto visconde de Lulalá pela segunda vez consecutiva que com certeza também é portador da síndrome de Asperger. Está criando cotas universitárias para a maioria negra, pobre e despreparada de escola pública cuja falência já foi decretada. O nosso doutor Honoris-Causa, que já tem lugar garantido na história pela sua popularidade pode pleitear o seu terceiro mandato como presidente em 2.014. E será reeleito caso seus eleitores não descubram que continuarão tão analfabetos quanto antes, mesmo ostentando os títulos.