domingo, 16 de novembro de 2014

A Paixão dos medíocres

Há homens mentalmente inferiores à média de sua raça, de seu tempo e de sua classe social. Também existem os superiores. Entre uns e outros flutua uma grande massa impossível de ser caracterizada por inferioridade ou excelência. Os psicólogos não quiseram se ocupar dos últimos, a arte os desdenha por incolores e a história não sabe seus nomes. Não são interessantes. Os moralistas os tratam com igual desdém; individualmente não merecem o desprezo, que fustiga os perversos, nem a apologia, reservada aos virtuosos. Sua existência é, no entanto, natural e necessária. Em tudo que possui graus, há mediocridades. Na escala da inteligência humana ela representa o claro-escuro entre o talento e a ignorância.
Considerada individualmente, a mediocridade poderá ser definida como uma ausência de características pessoais que permitam distinguir o indivíduo em sua sociedade. Ribot chamou de “indiferentes” os que vivem sem que se note sua existência. A sociedade pensa e deseja por eles. Não têm voz, mas eco. Não há linhas definidas nem em sua própria sombra, que é, apenas uma penumbra. Desfilam inadvertidos sem aprender nem ensinar, vegetando numa sociedade que ignora sua existência. Atravessam o mundo às escondidas, temerosos de que alguém possa recriminar a ousadia de existir em vão, como um contrabandista da vida.
Não há culpa em nascer sem dotes excepcionais; não se poderia exigir deles que subam o penhasco
por onde ascendem os privilegiados. Infelizmente, alguns, costumam esquecer seu parco conhecimento e pretender reger a orquestra com a irrisória pretensão de seu desafinamento ocultado pela cumplicidade de seus semelhantes ocultos na sombra da ignorância. O Brasil é uma confraria de medíocres.