quarta-feira, 25 de março de 2015

Democracia ou mediocracia?



Quando Platão referiu-se à democracia afirmando que, “é o pior dos bons governos, mas é o melhor entre os maus”. Sem querer definiu a mediocracia. Transcorreram séculos mas a frase conserva sua verdade.  Na primeira década do segundo milênio a decadência moral dos nossos governantes acentuou-se. Em cada comarca um grupo de oportunistas detém as engrenagens do mecanismo oficial, excluindo do seu seio todos os que se negam a tornar-se cúmplices deste procedimento. São quadrilhas que se intitulam partidos. Tentam disfarçar com idéias seu monopólio do Estado. São bandoleiros que procuram a encruzilhada mais impune para espoliar a sociedade.
Em todos os tempos e em todos os regimes houve políticos desonestos mas encontram melhor clima quando o terreno é fértil em ignorância política. Onde todos podem falar, calam-se os ilustrados. Os enriquecidos preferem escutar os embaixadores mais vís. Quando o ignorante se acha igualado ao estudioso, o safado ao apóstolo, o tagarela ao eloqüente, o mentiroso ao fiel e o mula ao digno, a escala do mérito desaparece num ignominioso nivelamento de velhacarias. Este achatamento moral é mais grave do que a aclimatação da tirania. Ninguém pode voar onde todos se arrastam. Concordam em chamar a hipocrisia de civilidade, a cumplicidade de tolerância. A mentira proporciona estas denominações equívocas. Estes mentirosos são inimigos da Pátria desonrando seus filhos e corroendo a dignidade comum.
Sempre existiram medíocres. São perenes. O que varia é o seu prestígio, sua influência. Nas épocas de exaltação renovadora mostram-se humildes, são tolerados, ninguém os nota e não ousam imiscuir-se em nada. Quando os ideais amornam e se substitui o qualitativo pelo quantitativo começa-se a contar com eles. Percebem-se então, seu numero. Organizam-se em grupos, reúnem-se em partidos e cresce sua influência na justa medida em que o clima se torna temperado. O sábio é igualado ao analfabeto, o rebelde ao lacaio, o poeta aos prestamistas e a mediocracia  converte-se em sistema. Os rudes são exaltados pois não florescem gênios nem surgem astros. A sociedade não os necessita; basta sua corte de funcionários. Florescem legisladores, pululam ativistas e contam-se os esmolés afiliados  por legiões. Multiplicam-se as leis sem reforçar, por isso, sua eficácia. O nível dos governantes baixa até o zero. A mediocracia é uma confabulação de zeros contra a unidade. Cem políticos juntos não valem um estadista genial. Somem dez zeros, cem, mil, todos os zeros da matemática e não terão nenhuma quantidade, nem sequer negativa.
Os políticos que hoje assaltam o País estão marcando um zero absoluto no termômetro da história, mas conservando-se limpos da infâmia e da virtude. Nesta época de lenocínio é fácil exercer a autoridade. As côrtes povoam-se de servís, de retóricos que tagarelam “pane lucrando”, de aspirantes a algum cargo, puxa-sacos e pés-de-chinelo em cuja consciência está pendurado o alvará ignominioso.
A mediocracia se apóia no apetite dos que anseiam viver nela e no medo dos que temem perder suas regalias. A indignidade civil é a lei nesses climas e todo homem abre mão de sua integridade moral quando se filia à mediocracia.