quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O que todo criacionista deveria saber.

Parte XI - Formação do cristianismo

Um censo conduzido pelos romanos em 48dC indicou que 7 milhões de judeus viviam no vasto Império Romano. À medida que as condições políticas se deterioravam na Palestina a cidade de Babilônia se tornava o berço de vivazes teólogos judeus. As sinagogas dos judeus podiam ser encontradas desde a Sicília até o Mar Negro no sul da Arábia e na Etiópia. Em Roma elas serviam a cerca de 50 mil judeus. Estas sinagogas eram um testemunho da generosidade das congregações as quais muitos dos membros doavam um décimo de sua renda anual. Está aí a origem do dízimo.

A religião dos judeus, embora inicialmente só para judeus, há muito tempo havia aumentado seu poder de atração. Muitos pagãos e outros não judeus freqüentavam as sinagogas, aceitavam seu código de ética e sua visão do mundo, embora não necessariamente se submetessem à pequena cirurgia no ritual da circuncisão. Em muitas sinagogas, na parte central do Império Romano, a língua hebraica foi substituída pelo grego.

Para que a história de Cristo permanecesse viva na memória dos judeus, um conjunto de sinagogas no Mediterrâneo e no interior da Ásia Menor tornou-se o fórum inicial para a disseminação de seus ensinamentos e São Paulo foi o primeiro convertido de maior expressão. Ele não conhecera Cristo nem o ouvira pregar mas opunha ao segmento de seu culto vendo-o como um perigo para a tradicional religião dos judeus e uma ameaça política aos dirigentes romanos. Mas 14 anos após a morte de Cristo, Paulo começou a remodelar a igreja que nascia. Tornou-se um fervoroso cristão.

Paulo possuía qualidades incomuns como filho de judeus, fora treinado para ser rabino, tinha cidadania romana, era extrovertido e falava grego. Por estas qualidades tinha passaporte fácil pelos circuitos oficiais e dialogava com personalidades influentes e cultas. Sua influência no cristianismo foi de maior preponderância que a do próprio Cristo. Embora os primeiros a se converterem ao cristianismo tenham sido, principalmente os judeus, outros foram igualmente atraídos. Muitas pessoas que não tinham ligação com sinagogas escutavam a mensagem cristã e se reuniam em casas particulares ou em salões públicos.

A questão de quem podia ou não se tornar cristão era sempre debatida dentro das novas congregações. Muitos judeus faziam objeções aos que vinham de fora por considerarem o cristianismo uma versão barata de sua própria religião. Todos que se aproximassem em estado de arrependimento podiam tornar-se cristão. Isto levou a uma divisão cada vez maior entre as sinagogas e as novas igrejas cristãs. Enquanto muitas das congregações cristãs consistiam exclusivamente de judeus, as novas igrejas atraiam pessoas de todas as raças e formação.

Em suas contendas interiores sobre a questão de até que ponto seguir as regras das sinagogas, os primeiros cristãos não tinham certeza se deveriam descartar as rígidas regras dos judeus em relação a alimentação, costumes e ética. Além de que, se apegar a esta igreja naqueles tempos difíceis carecia de muita coragem. Os Imperadores em Roma ocasionalmente se voltavam contra estes cristãos. O Imperador Nero Cláudio os culpou pelo famoso incêndio de Roma em 64dC. Em um tipo de competição comum para a época, os cristãos levavam chifradas de animais enfurecidos ou eram estraçalhados por leões na presença de uma multidão embevecida.

Os cristãos sempre foram vítimas da maioria da população em qualquer parte do Império Romano, eles dependiam da tolerância que lhes era concedida pelos outros. Teriam sido mais tolerados se fossem menos acintosos e mais afirmativos ou, na condição de escravos, mais cordatos. Às vezes não prestavam homenagens suficientes àqueles Imperadores romanos que se achavam semelhantes aos Deuses.

O cristianismo tornou-se como um sapato nas mãos de cem sapateiros, assumindo muitas formas até o ano 300.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Onde iremos?

A ciência evidencia a existência do homem com datação aproximada de 50.000 anos, ou seja: 800 gerações de 60 anos. Vivemos nas cavernas por 700 destas gerações e só nos diferenciamos de outros animais similares devido a transferência de conhecimentos através de guerras, conquistas, derrotas, erros e acertos. Somente durante as 70 últimas gerações foi possível haver uma comunicação efetiva entre uma geração e outras porque a escrita favoreceu isto.

Durante estas 70 últimas gerações ocorreram vários conflitos entre a evolução e o fundamentalismo religioso (principalmente o cristão) causando um substancial atraso no desenvolvimento. A esmagadora maioria dos bens materiais e o IDH conquistado, ocorreram durante as duas últimas gerações. Este avanço tecnológico pode estar gerando um choque inter cultural ou inter racial devido a desumanização pela tecnologia, ou a alienação pela arrogância contra o analfabetismo, o fundamentalismo ou outras mazelas sociais geradas pela involução.

Enquanto aceleramos uma partícula a 99% da velocidade da luz, convivemos com altas taxas de analfabetismo chegando a sermos presididos por um apedeuta. Enquanto desenvolvemos uma agricultura operada por máquinas guiadas por GPS com tecnologia RTK, damos esmola a famintos de várias nacionalidades através de programas governamentais. Enquanto pesquisamos o universo num raio de 12 milhões de anos luz, convivemos com fundamentalistas que acreditam irem para o céu tendo direito a 70 virgens para seu deleite. Enquanto pesquisadores cientistas escavam fósseis humanos com datação confirmada de 30.000 anos, temos populações inteiras de países do terceiro mundo acreditando que o homem foi “criado” a 6.000 anos e se matam em defesa da teoria improvável.

Estas diferenças sociais e culturais aumentam em progressão geométrica e chegará o dia em que os que não têm, não podem e nem são, nascerão com ódio dos que têm, são ou podem. Também por serem uma minoria inalcançável. Desculpem-me se me incluo nesta minoria e me fiz odiar.