quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Aritmética do nada.

O governo petista de 2010 a 2016 marcou uma época em que nada foi produzido de positivo. Foi um zero à esquerda, um vácuo.
Suponhamos que o zero represente o nada. Na matemática é impossível chegar a 1 somando zeros. Somem todos os zeros imagináveis e nada teremos de positivo. Para os gregos e romanos a ideia de zero era inconcebível. Um nada não poderia representar alguma coisa. Ao ser inventado o sistema de contabilidade por partida dobrada, na Itália, por volta de 1340, o zero passou a ser encarado como a divisória entre créditos e débitos. Uma das teorias é que o zero vem da primeira letra da palavra grega "oudem"(nada). Uma mais delirante afirma que sua forma deriva da marca circular deixada na areia por uma estaca usada para contar.... A presença de uma ausência
Quando criança eu era intrigado com uma curiosidade chamada "conjunto vazio" que era representada por um colchete fechado sem nada dentro. Trata-se de um conjunto sem membros, como por exemplo, o que representa mulheres presidentes dos EUA. Ele é convencionalmente representado pelo símbolo {}.
Um dos maiores matemáticos do século XIX, Richard Dedekind considerava o conjunto vazio apenas uma ficção conveniente. Mais recentemente, um cientista americano, David K. Lewis destacou o conjunto vazio como um indivíduo especial com um traço de nada dele. Será que o conjunto vazio existe?... Pode haver algo cuja essência é abranger o nada? Na matemática ela é dada por certo. Sua existência pode ser provada pelos axiomas da teoria dos conjuntos.
Sejamos metafisicamente liberais. Ainda que haja apenas o nada, há um conjunto que o contém. Uma entidade governamental denominada Dilma representada por um conjunto vazio com o símbolo do nada dentro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Agrotóxicos


Às vezes não quero acreditar que vivo numa sociedade de analfabetos funcionais. Estou estarrecido assistindo a uma novela de grande audiência em que um personagem graduado numa universidade francesa prega a agricultura orgânica de subsistência em detrimento à agricultura industrial. O nome “Agricultura Sintrópica” é mais um verbete dos filhos da revolução verde improdutivos. O sistema há muito já é usado na Amazônia por pequenos produtores para recuperar nascentes, áreas degradadas e matas ciliares. Consorciando agricultura familiar, árvores frutíferas, apicultura e preservando ou plantando vegetação regional protegendo o ambiente. Muito válido para micro agricultores e assentados. Ernst Gotsch não descobriu a pólvora.  
Ora!..Ora!.. O autor deveria ter se informado sobre o assunto, antes de  difundir suas convicções políticas de esquerdista. Os agrotóxicos salvaram florestas e bilhões de vidas, e, o homem que mais ajudou a amenizar a fome das pessoas, não foi um político comprometido com o povo nem um líder religioso benevolente. Trata-se do químico alemão FRITZ HABER, cientista-chefe do departamento de armas químicas da Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial. HABER defendia o uso do gás cloro nas trincheiras coordenando um ataque em Ipres, na Bélgica onde a armas químicas alemãs mataram quinze mil soldados franceses e canadenses em abril de 1915.  Mas se deve a este homem uma invenção que transformou o mundo.
Em julho de 1909, num laboratório montado pela Basf, ao sul da Alemanha, ele misturou hidrogênio com nitrogênio do ar  numa câmara a 600° de temperatura e pressão 200 vezes a atmosférica ao nível do mar conseguindo produzir amônia. Haber produziu poucos centímetros cúbicos de amônia, menos que um pote de Danoninho.
Para entender a importância deste descobrimento é necessário lembrar como funcionava a agricultura, até então. As plantas não são capazes de retirar o nitrogênio do ar. Elas o absorvem, na terra, através das raízes. A cada colheita o solo se torna mais pobre em nitrogênio, que tradicionalmente  é remediado com esterco, que servia para recuperar o solo pobre em nitrogênio. Mas era necessária uma quantidade mastodôntica para alcançar algum efeito. Não havia pesticidas e fertilizantes sintéticos e os agricultores evitavam as pragas e doenças das plantas com técnicas milenares. As famílias plantavam e colhiam com as mãos ou ferramentas rudimentares, fazendo com que um hectare lhes rendessem 700 kg de trigo, ou 1/5 do que rende hoje. Este mundo idílico e ecologicamente correto tinha um resultado,...a fome.
A fome matou 10% dos ingleses entre 1315 e 1317, um terço dos russos entre 1601 e 1603, 10% dos franceses e noruegueses no final do século XVII e 20% dos irlandeses 1845 e 1849. Hoje a produção de nitrogênio é de 143 milhões de toneladas/ano. Para se obter 1kg de nitrogênio é necessário 1,5 tonelada de esterco de galinha, que é o mais rico em N. Ou seja... Para se obter um saco de fertilizante químico industrial serão necessários 22.000 kg de merda.
Com a ascensão de Hitler, Franz Huber se mudou para a Inglaterra e não viu uma de suas criações, o gás Ziklon A, criado para eliminar insetos que infestavam celeiros de trigos se transformar no gás da câmara de morte nazista.
Por onde passou, a combinação de fertilizantes, defensivos, máquinas e sementes selecionadas multiplicaram colheitas. No século XX, enquanto a população humana cresceu 3,7%, a produção de alimentos foi multiplicada por sete. O fato é que a agricultura evitou o desmatamento de milhares de hectares de floresta por ser possível produzir bem mais na mesma área. Cerca de 3 bilhões de pessoas, quase a metade da população humana, teria pouco o que comer caso a agricultura orgânica ainda predominasse.
 Não é à toa que as maiores crises de fome ocorridas no século XX foi fruto de política conduzida por analfabetos funcionais. É o caso da África onde as novas técnicas sofreram resistências de governos apegados á ideias de agricultura de subsistência. Na Etiópia, o governo comunista de Haile Selassie fez tudo o que podia para boicotar a importação de fertilizantes, tabelou preços e amontoou camponeses em fazendas estatais e proibindo o cultivo privado tornando a agricultura mais improdutiva do que era. O sistema feudal foi abolido com a queda de Salassie em 1975 e a perda de mais de 40.000 vidas extintas pela fome. A população aumentou em índices superiores ao da produção de alimentos e quando veio a seca de 1983 a 1985 não havia estoque de alimentos e 400 mil etíopes morreram de fome.  Na China houve a maior crise de fome do século XX. Durante o governo comunista de Mao Tsé-tung que, também, era contrário á fertilização e defensivos químicos para aumentar a produção agrícola, colheu 15 milhões de mortos pela fome entre 1958 e 1961. Mao Tsé-tung só abriu o olho em 1972 durante a visita de Richard Nixon. Na comitiva americana estava um executivo da KELLOGG e os chineses adquiriram cinco grandes fábricas de fertilizantes. Alguns anos depois a China já era a maior produtora de fertilizantes químicos do mundo.
Agricultura de subsistência ou orgânica é para pequenos produtores para seu próprio consumo ou venda em baixa escala.
Espero que os ecologicamente corretos ou filhos da revolução verde se lembrem de agradecer aos cientistas ambiciosos e grandes fazendeiros todas as vezes que saborearem um cereal, leite ou qualquer produto agrícola e respirar aliviado por viver numa época em que a agricultura orgânica não impera no mundo.   

         Obtive várias fontes de informações.  Geoffrey Blainey,  Yuval Harari, Wikipédia e principalmente Leandro Narloch.

domingo, 23 de agosto de 2015

Pombas brancas



Um dos livros mais vendidos no ano de 1969 foi o romance “O Enigma de Andrômeda”, de Michael Crichton, que conta a história de um grupo de cientistas envolvidos no estudo de um micro-organismo que faz o sangue  humano coagular rapidamente, provocando a morte. Embora seja um livro de ficção, O Enigma de Andrômeda é um relato arrepiante da ameaça biológica que determinados organismos podem representar ao sistema imunológico humano, que por nunca ter sido exposto a eles, não tem como combatê-los. No livro os organismos vêm do espaço sideral. Na vida real eles podem ser desenvolvidos na terra mesmo, por meio de atividades biotecnológicas humanas, propositais ou acidentais.
Para ilustrar as possibilidades, alguns anos atrás um grupo de pesquisadores australianos  produziu uma cepa de ectromelia infecciosa, uma variante do vírus da varíola, esperando esterilizar os ratos. De modo geral, a ectromelia infecciosa não representa perigo para os camundongos que participam da experiência, e os cientistas só queriam incrementá-la para esterilizar os roedores. Infelizmente, produziram uma variação do vírus tão letal, que matou até os ratos vacinados contra a moléstia.
Este é um ótimo exemplo de como um erro de cálculo pode criar a cepa de um vírus semelhante à varíola que, se sair dos limites do laboratório, pode causar uma pandemia incontrolável. Principalmente quando pesquisadores, como os australianos, publicam  a fórmula de seus vírus mortíferos em revistas científicas abertas para o mundo ler.]
Um exemplo prático do que deveria acontecer numa escala mais ampla é a epidemia de gripe espanhola após a Primeira Guerra Mundial. Em 1918 uma cepa de gripe surgida nos EUA acabou matando de trinta a cinquenta milhões de pessoas no mundo inteiro no período de um ano. Agora, imagine uma praga ou vírus com o poder de viajar por todo o mundo, como a epidemia de 1918, matando e infectando mais rapidamente. Não há vacina ou antibiótico capaz de combater. Vale salientar que isto poderia acontecer como resultado de processos naturais, não somente via mutação intencional de pesquisadores em laboratórios. Portanto a ameaça de uma pandemia global deixa de ser mero desastre e passa â categoria de verdadeira catástrofe.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O Brasil e a matemática.

O Congresso do PT em Salvador/BA decidiu pela volta da CPMF e de se taxar grandes fortunas, como formula de tirar o Brasil da crise. Nada se falou de reforma fiscal e tributaria. E muito menos do tamanho do Estado brasileiro, que cresceu. E como um Narciso, enamorou-se da sua própria força e beleza. E ufano de suas riquezas, vaidoso de sua potência, achou que é um fim em si mesmo. E esqueceu que o homem é que foi criado a imagem e semelhança de Deus e que foi o homem quem o criou para seu serviço. E na sua autoadmiração, o Estado brasileiro agiu como se o homem fosse por ele criado para construir a sua grandeza. E na sua mania de grandeza, agigantou-se. E na sua mania de riqueza, ficou perdulário e endividou-se.

Para sobreviver começou a taxar cada vez mais a Nação, até que os seus tributos ficaram bem acima da capacidade contributiva da Nação. Iniciou-se, assim, um conflito de sobrevivência entre o Estado e a Nação, cada qual navegando em barcos e destinos diferentes.

O Estado, na sua ganância, tenta arrecadar da Nação uma riqueza que não mais existe. E a Nação, no seu estertor, luta para sobreviver. A Nação não quer e não pode pagar essa conta. Para a Nação, o Estado se tornou um poço
sem fim e sem fundo.

Todo mundo sabe que o Estado precisa encolher. Mas como encolher sem reduzir o que se quer dele? Nenhuma reforma fiscal e tributária terá sucesso, sem passar por uma redefinição do papel e do tamanho do Estado.

O Estado está maior do que a Nação e precisa ficar menor do que ela, para poder ser por ela mantido.

Isso me lembra uma estorinha de MALBA TAHAN, no livro “O HOMEM QUE CALCULAVA”, sobre a divisão de uma tropa de camelos:

“MALBA TAHAN caminhava por um dos muitos desertos da Arábia Saudita com o seu camelo exausto pelo seu peso e pela bagagem que, como a de qualquer viajante, fica sempre aumentando. Precisava de mais um camelo para dividir a carga. Nisso, avistou uma caravana com uma tropa de 35 camelos se aproximando.
MALBA TAHAN foi ao seu encontro com o intuito de comprar um camelo e encontrou a caravana com três condutores irmãos, brigando entre si. Indagados, eles explicaram que o pai havia morrido durante a viagem. Porém, antes de morrer, distribuíra a tropa de camelos entre os filhos da seguinte forma: metade para o mais velho, por que trabalhara mais tempo com o pai; um terço para o do meio, por que trabalhara menos tempo; e um nono para o mais novo, por que trabalhara menos tempo ainda.

Todavia, a metade de 35 dá 17,5 camelos; um terço de 35 dá 11,67 camelos; e um nono de 35 dá 3,89 camelos. E nenhum dos irmãos estava disposto a perder a fração de camelo que lhes cabia.

MALBA TAHAN pediu permissão para fazer a partilha. E, para facilitar, propôs: eu lhes empresto o meu camelo. Agora a tropa, em vez de 35, tem 36 camelos. 
Metade de 36 dá 18 camelos – e o filho mais velho ficou satisfeito; um terço de 36 dá 12 camelos – e o filho do meio ficou satisfeito; e um nono de 36 dá 4 camelos – e o filho mais novo ficou satisfeito.

Sobraram 2 camelos. Então MALBA TAHAN disse: Estes dois camelos são meus. Um como devolução do camelo que emprestei e o outro como pagamento dos meus serviços. E MALBA TAHAN ficou também satisfeito”.

Moral da história: Quando o todo é maior que as partes todos ficam satisfeitos, sobrando riquezas para todos. Mas quando o todo é menor do que as partes, todos ficam insatisfeitos. Este é o caso do Brasil, onde o que querem a União, os Estados, os municípios e a sociedade, somam mais do que o PIB nacional.

Mas, eis que essa situação foi consagrada pela Constituição de 1988, que precisa ser alterada para enquadrar o Estado brasileiro dentro da realidade da Nação, que, aliás, sonha com a modernidade do Estado e com um sistema tributário simples, de poucos tributos, de arrecadação automática, instantânea, eletrônica, informatizada e consentânea com o atual momento da história. Daí a urgência dessas reformas, até porque desde o início dos anos 80, quando o Estado brasileiro quebrou, o sistema tributário foi ficando cada vez mais complexo, oneroso, com mais impostos, com alíquotas mais altas, cada vez mais com impostos superpostos, paralelos, incidindo sobre o mesmo fato gerador, o que, além de inibir a produção, é inaceitável e injusto. 
                                                              Texto de Nicias Ribeiro.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Democracia ou mediocracia?



Quando Platão referiu-se à democracia afirmando que, “é o pior dos bons governos, mas é o melhor entre os maus”. Sem querer definiu a mediocracia. Transcorreram séculos mas a frase conserva sua verdade.  Na primeira década do segundo milênio a decadência moral dos nossos governantes acentuou-se. Em cada comarca um grupo de oportunistas detém as engrenagens do mecanismo oficial, excluindo do seu seio todos os que se negam a tornar-se cúmplices deste procedimento. São quadrilhas que se intitulam partidos. Tentam disfarçar com idéias seu monopólio do Estado. São bandoleiros que procuram a encruzilhada mais impune para espoliar a sociedade.
Em todos os tempos e em todos os regimes houve políticos desonestos mas encontram melhor clima quando o terreno é fértil em ignorância política. Onde todos podem falar, calam-se os ilustrados. Os enriquecidos preferem escutar os embaixadores mais vís. Quando o ignorante se acha igualado ao estudioso, o safado ao apóstolo, o tagarela ao eloqüente, o mentiroso ao fiel e o mula ao digno, a escala do mérito desaparece num ignominioso nivelamento de velhacarias. Este achatamento moral é mais grave do que a aclimatação da tirania. Ninguém pode voar onde todos se arrastam. Concordam em chamar a hipocrisia de civilidade, a cumplicidade de tolerância. A mentira proporciona estas denominações equívocas. Estes mentirosos são inimigos da Pátria desonrando seus filhos e corroendo a dignidade comum.
Sempre existiram medíocres. São perenes. O que varia é o seu prestígio, sua influência. Nas épocas de exaltação renovadora mostram-se humildes, são tolerados, ninguém os nota e não ousam imiscuir-se em nada. Quando os ideais amornam e se substitui o qualitativo pelo quantitativo começa-se a contar com eles. Percebem-se então, seu numero. Organizam-se em grupos, reúnem-se em partidos e cresce sua influência na justa medida em que o clima se torna temperado. O sábio é igualado ao analfabeto, o rebelde ao lacaio, o poeta aos prestamistas e a mediocracia  converte-se em sistema. Os rudes são exaltados pois não florescem gênios nem surgem astros. A sociedade não os necessita; basta sua corte de funcionários. Florescem legisladores, pululam ativistas e contam-se os esmolés afiliados  por legiões. Multiplicam-se as leis sem reforçar, por isso, sua eficácia. O nível dos governantes baixa até o zero. A mediocracia é uma confabulação de zeros contra a unidade. Cem políticos juntos não valem um estadista genial. Somem dez zeros, cem, mil, todos os zeros da matemática e não terão nenhuma quantidade, nem sequer negativa.
Os políticos que hoje assaltam o País estão marcando um zero absoluto no termômetro da história, mas conservando-se limpos da infâmia e da virtude. Nesta época de lenocínio é fácil exercer a autoridade. As côrtes povoam-se de servís, de retóricos que tagarelam “pane lucrando”, de aspirantes a algum cargo, puxa-sacos e pés-de-chinelo em cuja consciência está pendurado o alvará ignominioso.
A mediocracia se apóia no apetite dos que anseiam viver nela e no medo dos que temem perder suas regalias. A indignidade civil é a lei nesses climas e todo homem abre mão de sua integridade moral quando se filia à mediocracia.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Formação das lendas

A formação das lendas nas sociedades primitivas.
Os primatas vivem em pequenos grupos. Formam amizades próximas, caçam juntos e combatem ombro a ombro contra inimigos. A sua estrutura social tende a ser hierárquica.
O macho alfa esforça-se para manter a harmonia social em seu bando. Os membros de uma coligação passam muito tempo juntos, partilham alimentos e ajudam uns aos outros em caso de dificuldades. Existem limites claros quanto a dimensão dos grupos que podem ser formados e mantidos desta forma. Para que um grupo funcione em harmonia, todos os membros têm que se conhecerem mutuamente. Dois chimpanzés que nunca se cruzaram, nunca combateram juntos e nunca participaram nos cuidados mútuos, não saberão se podem confiar um no outro.    Em condições naturais, um bando de chimpanzés típicos, consiste  em cerca de 20 a 50 indivíduos. À medida que o numero de membros aumenta, a ordem social torna-se instável, acabando por conduzir a uma ruptura e a formação de um novo grupo por parte de alguns animais.
É provável que padrões semelhantes tenham determinado a vida social dos primitivos seres humanos, incluindo o Homo Sapiens arcaico. Os seres humanos, como os chimpanzés, têm instintos sociais que permitiram nossos antepassados formar amizades e hierarquias, bem como caçar e lutar em conjunto. No entanto, tal como nos instintos sociais dos chimpanzés, os seres humanos estavam adaptados, apenas, a grupos pequenos e íntimos. Quando o grupo crescia demasiadamente, a ordem tornava-se instável e o bando dividia-se. Mesmo que um vale particularmente fértil pudesse alimentar 500 indivíduos, era impossível a convivência. Como poderiam concordar em relação à escolha de um líder, a quem caçar onde ou quem acasalar com quem?
No rescaldo da evolução cognitiva, a comunicação através da fala, ajudou o Homo Sapiens a formar bandos maiores e mais estáveis. No entanto, até a comunicação tem seus limites. Estudos sociológicos revelaram que o tamanho natural máximo de um grupo único, comporta cerca de 150 indivíduos. Abaixo deste limite, comunidades e unidades militares conseguem manter-se tomando por base o conhecimento e a troca de informação. Não há qualquer necessidade de postos formais, títulos e livros de leis para manter a ordem. Um pelotão de 30 a 100 soldados pode funcionar bem com base nas relações íntimas, com um mínimo de disciplina formal. No entanto, se o limite de 150 indivíduos for ultrapassado, as coisas não funcionam assim. Não se pode liderar uma divisão com milhares de soldados da mesma maneira que se lida com um pelotão.
Como foi que o Homo Sapiens conseguiu ultrapassar este limite crítico e fundando cidades com dezenas de milhares de habitantes, impérios que ditaram os destinos de milhões de seres?... O segredo reside, provavelmente, no surgimento da ficção.  Um grande numero de estranhos consegue cooperar com êxito graças à crença em mitos comuns. Qualquer cooperação humana em larga escala, seja um estado moderno, uma igreja medieval, uma cidade antiga ou uma tribo arcaica, está enraizada em mitos comuns que existem apenas na imaginação coletiva de seus integrantes. As igrejas estão enraizadas em mitos religiosos comuns. Dois católicos que nunca se conheceram podem, ainda assim, partir juntos para uma cruzada porque ambos acreditam que Deus encarnou e se fez homem, deixando-se crucificar para os redimir dos seus pecados. Centenas de evangélicos desconhecidos podem se juntarem numa missão de arrecadação de fundos para construir uma igreja acreditando que esta casa de oração será visitada por seu Deus. Os estados estão enraizados em mitos nacionais comuns. Dois Sérvios que nunca se encontraram podem arriscar as vidas porque ambos acreditam na existência da nação Sérvia, na pátria Sérvia, na bandeira Sérvia. Os sistemas judiciais estão enraizados em mitos legais comuns. Dois advogados que nunca se cruzaram podem, ainda assim, combinar esforços para defender um estranho porque acreditam na existência de leis, justiça e direitos humanos.
No entanto, nenhuma destas coisas existe fora das histórias que as pessoas inventam e contam entre si. Não há deuses no universo, não há nações, não há direitos humanos, não há leis e não há justiça fora da imaginação coletiva dos seres humanos.

As pessoas compreendem facilmente que os primitivos tenham cimentado sua ordem social acreditando em fantasmas e espíritos juntando-se a cada lua cheia para dançarem ao redor de uma fogueira. Mas não conseguem entender por que motivos, nossas instituições modernas funcionam exatamente da mesma forma. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Supersimetria da criação

_Conta uma tradição chinesa da época Xia (2205-1782), que apareceram dez sóis em nosso ambiente cósmico causando súbitas mudanças. Os povos da terra sofreram, terrivelmente com o calor e, por isso o Imperador ordenou ao seu melhor arqueiro que abatesse os sóis extras. O arqueiro foi recompensado com uma pílula  que tinha o poder da imortalidade mas sua esposa a roubou. Por esta ofensa ela foi exilada imóvel no firmamento transformando-se na lua.
_Segundo esta lenda, o primeiro ser vivo foi P’na Ku, que cresceu durante 18 mil anos dentro de um ovo cósmico. Quando se chocou, a casca acima dele se tornou o céu, enquanto a casca abaixo tornou-se a terra. Os opostos da natureza foram separados como masculino e feminino, úmido e seco, claro e escuro, yin e yang. P’an Ku se despedaçou e suas feições se tornaram o mundo natural. Seus membros se transformaram em montanhas, seu sangue em rios, sua respiração no vento, sua voz nos trovões, seu cabelo na grama e seu suor na chuva. Seu olho esquerdo se tornou o sol e o direito a lua.
_Antes do início dos tempos havia Nu, o oceano primordial do caos. De um ovo na superfície de Nu surgiu uma divindade referida como Amon-Rá. Amon-Rá produziu filhos e filhas divinos. As lágrimas de Amon-Rá formaram a humanidade. Seu neto, o Deus Osíres se casou com uma sua irmã Ísis que descobriu a identidade de Amon-Rá, o que permitiu que Osíres tomasse seu lugar como rei. Osíres mostrou aos humanos como obter comida e vinho, enquanto Ísis ensinou-lhes a tecer e fazer medicina. Set, irmão de Osíres, que representava o mal, prende-o em um baú lançado ao Nilo.  Ìsis recuperou o corpo dilacerado de Osíres exceto o pênis que fora comido por um peixe. Ela criou um pênis de barro e soprou a vida de volta para Osíres através dele.  Osires viveu apenas o suficiente para engravidar Ísis do seu filho Hórus. Para manter seu filho a salvo de Set, Ìsis o colocou num cesto para flutuar no Nilo, inspirando a história de Moisés.
_No princípio o Deus Amma, o sol e a lua, na forma de dois potes, jogou pedaços de barro no espaço para criar as estrelas e uma bola de barro para criar a terra. Sentindo-se só, Amma se aproxima da terra e fertiliza-a para gerar filhos. Entretanto, uma colina vermelha causou um defeito na gestação. Em vez de gêmeos, nasceu um chacal que trouxe inúmeros problemas para Amma. Esta lenda explica a circuncisão feminina realizada por diversas tribos africanas.
_A bíblia conta a lenda de quando Josué rezou para que o sol parasse em seu trajeto de forma que a luz do dia se prolongasse, permitindo a ele terminar a batalha contra os Amoritas em Canaã. Segundo o livro de capa preta, o sol ficou parado por um dia. Atualmente sabemos que isto significa que a terra ficou sem rotação por doze horas. Se a terra fosse imobilizada, de acordo com as leis de Newton, tudo que não estivesse preso a ela, continuaria a se mover na sua velocidade original que é de 1.800 km/h no Equador. Um preço muito alto para um pôr do sol prolongado. Por outro lado, o universo não pode ser rebobinado. As leis matemáticas da física moderna não permitem o desvio de seu curso inexorável, para o futuro.
Mitos de criação como estes são tentativas de responder a questão feita pela ciência; Por que há um universo, e por que o universo é do jeito que é.
As lendas têm significados diferentes. As citadas aqui, umas são poéticas, outras são românticas e outras são mentiras enganosas que perduram. O universo é compreensível por que é governado por leis científicas e seu comportamento pode ser descrito como um modelo matemático. A primeira força descrita em linguagem matemática foi a gravidade. A lei da gravitação universal foi descrita por Newton e publicada em 1687  dizendo que todo objeto no universo atrai qualquer outro com uma força proporcional à sua massa. A ideia de que existem leis naturais ,suscita questões semelhantes àquelas pelas quais Galileu Galilei foi condenado por heresia em 1637.
A humanidade parece ter reconhecido que o universo não foi uma criação recente ou os seres humanos  têm existido apenas durante uma fração menor da história cósmica. Isto porque nossa espécie tem aprimorado tão rapidamente seu conhecimento tecnológico que, se existisse a milhões de anos, já teríamos alcançado a singularidade. A menos que a cada limite da evolução, a sociedade entra em colapso e começa tudo novamente. Inclusive a criação.

Dissocia-se o universo da criação humana, mesmo que o homem seja criado à semelhança de alguém e pode ser destruído por seu criador. O universo se mantém simétrico com outros universos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A descoberta da ignorância

Os biólogos dizem que o DNA é a base molecular para a reprodução sexual. Cada um de nós assemelha-se aos nossos pais porque herdamos um complemento de seu DNA, mas não herdamos o caráter, as atitudes nem sua religiosidade. Para isto somos ensinados, treinados e direcionados.
O animal humano não consegue preservar a informação crítica à sua gestão simplesmente através da realização de cópias de seu DNA e de sua transmissão à progenitura. É necessário realizar um esforço constante para sustentar suas leis, seus costumes, seus procedimentos e sua religiosidade.
As grandes sociedades de algumas espécies são estáveis e resilientes porque a maioria das informações que necessitam estão contidas em seu genoma. A larva de uma abelha melífera pode crescer e se transformar numa rainha ou numa operária, dependendo do alimento que recebe. No seu DNA está contido o programa necessário para os dois papéis, seja a etiqueta real ou a diligência proletária. As colmeias podem ser estruturas sociais muito complexas contendo diferentes ações trabalhadoras;  coletores. transportadores, enfermeiros e faxineiros. No entanto nenhum pesquisador foi capaz de encontrar um advogado nem um professor. As  abelhas não precisam de advogados, porque não existe o perigo de tentarem contornar a constituição da colmeia negando às abelhas da limpeza o direito à vida, à liberdade ou à procura da felicidade e nem de professores para lhes ensinar algum ofício.
A maioria das pessoas não querem aceitar que a ordem que gerencia suas vidas é imaginária, mas, de fato, cada pessoa nasce com uma ordem preexistente e seus desejos são informações impostas desde o seu nascimento. Tendo por base as ordens sobre humanas, a religião estabelece normas e valores que considera vinculativos. Muitos ocidentais acreditam em fantasmas, fadas, reencarnação e sobrevida após a morte. Mas estas crenças não são uma fonte de padrões morais. Dois milhares de anos de lavagem cerebral monoteísta levaram os ocidentais a verem o politeísmo como uma idolatria ignorante e infantil.
O ponto de vista fundamental do politeísmo que o difere do monoteísmo, é que o poder supremo que governa o mundo é vazio de interesses e preconceitos, e, como tal, não se preocupa com os desejos mundanos. É inútil pedir a estas potências a vitória na guerra, saúde ou chuva, porque do ponto de vista global, não faz diferença se um reino em particular ganha ou perde, se uma pessoa recupera ou morre. Os gregos não desperdiçavam sacrifícios com o destino.

A única razão para abordar o politeísmo como suprema potência seria para renunciar a todos os desejos e abraçar o mau juntamente com o bom, aceitar a derrota, a pobreza, a morte e compreender que, de sua perspectiva eterna, todos os desejos e medos mundanos eram fenômenos insignificantes e efêmeros.  

domingo, 16 de novembro de 2014

A Paixão dos medíocres

Há homens mentalmente inferiores à média de sua raça, de seu tempo e de sua classe social. Também existem os superiores. Entre uns e outros flutua uma grande massa impossível de ser caracterizada por inferioridade ou excelência. Os psicólogos não quiseram se ocupar dos últimos, a arte os desdenha por incolores e a história não sabe seus nomes. Não são interessantes. Os moralistas os tratam com igual desdém; individualmente não merecem o desprezo, que fustiga os perversos, nem a apologia, reservada aos virtuosos. Sua existência é, no entanto, natural e necessária. Em tudo que possui graus, há mediocridades. Na escala da inteligência humana ela representa o claro-escuro entre o talento e a ignorância.
Considerada individualmente, a mediocridade poderá ser definida como uma ausência de características pessoais que permitam distinguir o indivíduo em sua sociedade. Ribot chamou de “indiferentes” os que vivem sem que se note sua existência. A sociedade pensa e deseja por eles. Não têm voz, mas eco. Não há linhas definidas nem em sua própria sombra, que é, apenas uma penumbra. Desfilam inadvertidos sem aprender nem ensinar, vegetando numa sociedade que ignora sua existência. Atravessam o mundo às escondidas, temerosos de que alguém possa recriminar a ousadia de existir em vão, como um contrabandista da vida.
Não há culpa em nascer sem dotes excepcionais; não se poderia exigir deles que subam o penhasco
por onde ascendem os privilegiados. Infelizmente, alguns, costumam esquecer seu parco conhecimento e pretender reger a orquestra com a irrisória pretensão de seu desafinamento ocultado pela cumplicidade de seus semelhantes ocultos na sombra da ignorância. O Brasil é uma confraria de medíocres.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Segredo Messiânico



   
Quando examinamos as profecias das escrituras descobrimos um elenco confuso e contraditório de pontos de vistas e opiniões sobre o messias.
Ele seria um profeta escatológico que inauguraria o fim dos tempos. (Daniel 7:13-14; Jeremias 31:31-34)
Ele seria um libertador que liberaria os judeus da escravidão. (Deutoronômio 18:15-19; Isaías 49:1-7)
Ele seria um pretendente real que viria recriar o reino de Davi. (Miquéias 5:1-5; Zacarias 9;1-10)
Na Palestina do século I, quase todos os pretendentes do manto de messias cabiam em um desses paradigmas. Ezequias o chefe dos bandidos, Judas o Galileu, Simão de Pereia e Aronges o pastor. Todos modelaram-se a partir do ideal de Davi, assim como Menahem e Simão filho de Giora. Esses foram reis-messias cujas aspirações ao trono foram claramente defendidas por suas ações revolucionárias contra Roma. Outros como os milagreiros Teudas, o egípcio e o samaritano, apresentam-se como messias libertadores nos moldes de Moisés. Cada um desses candidatos prometiam a libertação de seus seguidores, do jugo da ocupação romana, por meio de algum ato milagroso. Profetas oraculares como João Batista e o Santo homem Jesus Ben Ananias podem não ter assumido abertamente qualquer ambição messiânica, mas suas profecias sobre o final dos tempos e a vinda do julgamento de Deus claramente se adaptava ao aquétipo de profeta messias presente tanto nas escrituras hebraicas como nas traduções rabínicas.
Jesus de Nazaré não foi o único milagreiro a percorre a Palestina curando enfermos e expulsando demônios. Aquele era um mundo impregnado de magia e Jesus de Nazaré era apenas mais um dos incontáveis adivinhos, intérpretes de sonhos, feiticeiros e curandeiros que perambulavam pela Judéia e Galiléia. Houve Honi e seus netos Abba Hilqiah e Hanan, Hanina bem Dosa e o mais famoso homem santo Apolônio de Tiara que pregava o conceito de um Deus supremo e  chegou a ressuscitar uma menina. Tampouco era Jesus de Nazaré o único exorcista da região. Como era uma atividade lucrativa, muitos exorcistas são mencionados nos evangelhos.(Mateus 12:27, Lucas 11:19, Marcos 9:38-40, Atos 19:11-17). Alguns famosos como Eleazar e o Rabino Simão ben Yohai. Instruções sobre o exorcismo foram encontradas até mesmo nos Manuscritos de Mar Morto.
Como já foi dito várias vezes, os evangelhos não foram escritos sobre um homem conhecido como Jesus de Nazaré que viveu na Palestina há 2.000 anos. Os evangelhos falam de um messias que os escritores viam como um ser eterno sentado à direita de Deus. Jesus de Nazaré serviu de modelo humano para Jesus o Cristo, assim como poderia ter sido Apolônio de Tiara ou Jesus ben Ananias sem prejuízo algum para o cristianismo.
Jesus de Nazaré não fizera nenhuma declaração sobre sua identidade messiânica. Na verdade ele tentou evitar qualquer referência ao título quando silencia os demônios que o reconhecem (Marcos 1:23-25, 34, 3:11-12). Tenta ocultar a identidade messiânica quando faz jurar segredo daquele que cura. (Marcos 1:43-45) Se disfarça em parábolas incompreensíveis para ocultar sua identidade. (Marcos 7:24). Vezes sem conta Jesus de Nazaré repele, evita, escapa e rejeita o título de messias concedido a ele por outros. Jesus de Nazaré não cumpriu nenhuma das exigências que fossem esperadas pelo messias.
Falou sobre o fim dos tempos, mas isto não aconteceu nem após os romanos destruírem Jerusalém e profanar o Templo de Deus.
Prometeu que Deus iria libertar o povo judeu da escravidão, mas Deus não o fez. Prometeu que as doze tribos de Israel seriam reconstruídas e a nação restaurada. Ao invés disso os romanos expropriaram a Terra Prometida, massacraram seus habitantes e exilaram os sobreviventes. Previu o Reino de Deus que nunca chegou e a nova ordem mundial que nunca tomou forma. De acordo com os parâmetros do culto judaico e das escrituras hebraicas, Jesus de Nazaré foi tão bem sucedido em suas aspirações messiânicas quanto qualquer um dos outros pretensos messias.