domingo, 19 de novembro de 2017

Agnosticismo

Não posso ser agnóstico... O termo é formado pelo grego “a” (não ou sem) e “gnossis” (conhecimento)... Sem conhecimento.
O termo foi usado pela primeira vez pelo biólogo inglês T.H.Huxley num de seus comentários sobre a questão da imortalidade pessoal em uma carta de 1860. “Não afirmo nem nego a imortalidade do homem. Não vejo razão para acreditar, mas, por outro lado não disponho de meios para refutar.”
A própria bíblia me ensinou a ser ateu. Minha descrença surge como consequência de certas qualidades que aqueles que creem acreditam ser parte da essência de Deus.
--   Onisciente
--  Onipresente
--  Onipotente
-- Onibenevolente

A partir daí deduz-se que Deus tem plena consciência de todo o mal que existe no mundo, que pode evitá-lo e que pode fazê-lo. Mas isto contradiz a realidade. Por isso, a menos que negamos a existência deste mal, devemos concluir que não existe este Deus, ou ele não possui as tais qualidades essenciais. Ele não sabe o que está acontecendo, não se importa ou nada pode fazer. É muito difícil conciliar o fato de que o mal ocorre no mundo com a existência de Deus como ele é concebido. É evidente que o mundo está cheio de coisas ruins; fome, cataclismas, terremotos inundações, assassinatos guerras, morte atroz de jovens e velhos, terrorismo. Qualquer pessoa que pudesse acabar com tudo isto num estalar de dedos e não o fizesse, seria considerado um monstro. Mas suponhamos que haja um poderoso ser que poderia pôr um fim a tudo isto num instante, um ser com poder, conhecimento e excelência moral ilimitados: Deus. Como pode este mal existir lado a lado com um Deus que tem, por definição, a capacidade de acabar com ele? Será que se o mal fosse evitado, o bem estaria ausente do universo?

domingo, 12 de novembro de 2017

O Valor da realidade

Existem vários tipos de realidades. A maioria das pessoas presume que a realidade ou é objetiva ou é subjetiva e que não existe uma terceira opção. Na realidade objetiva as coisas acontecem independentemente de nossas crenças ou sentimentos. A gravidade é uma realidade objetiva. Ela sempre existiu e afeta as pessoas que acreditam nela tanto quanto aquelas que ainda não acreditam. A realidade subjetiva depende de nossas crenças e sentimentos. Uma dor de cabeça, o amor, a fé em algo, são realidades subjetivas.
Entretanto existe um terceiro nível de realidade; a realidade intersubjetiva. As entidades intersubjetivas dependem da comunicação entre pessoas, e não da crença e dos sentimentos dos homens individualmente. Muitos dos mais importantes agentes da história são intersubjetivos. O dinheiro não tem valor objetivo. Não se pode comer, beber ou vestir uma nota de cem reais. Porém, como milhões de pessoas acreditam que ele tem valor, pode-se usá-lo para comprar alimentos ou roupas. Mas, se o Tesouro Nacional decretar a perda de valor da nota de cem reais, ela continuará existindo mesmo sem valor algum.
O valor da moeda não é a única coisa que pode evaporar quando as pessoas passam a não acreditar nela. O mesmo pode acontecer com leis, impérios e até deuses. Em determinado momento eles estão encabrestando o mundo e exigindo sacrifícios e, no momento seguinte não existem mais. Zeus e Hera foram poderosos na bacia do Mediterrâneo, entretanto hoje não tem autoridade alguma pois ninguém acredita neles.
Houve um tempo em que a URSS poderia destruir toda a raça humana mas deixou de existir às duas horas da tarde do dia 8/12/1991. Os líderes da Russia declararam: ‘Nós, a República de Belarus, a Federação Russa e a Ucrânia na qualidade de fundadores da União Socialista Soviética que assinou o tratado da união em 1922 estabelecemos por meio deste, que a União Socialista Soviética como sujeito de lei internacional e como realidade geopolítica deixa de existir”.

Quero ainda estar vivo quando o Papa promulgar sua mais aterrorizante e dolorosa encíclica anunciando que o Deus Cristão nunca existiu. O Deus de Abraão todo poderoso, onipotente, onisciente, onipresente foi fruto da imaginação de uma tribo monoteísta e tudo não passou de uma realidade intersubjetiva.  

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A Criação de amortais

Durante séculos a humanidade santificou algo que está acima ou além da nossa existência terrena e consequentemente foram bem tolerantes com a morte. Uma vez que o Cristianismo, o Islamismo ou o Hinduísmo insistira que o significado da nossa existência dependia da sina do pós vida e eles consideraram a morte como parte vital e positiva sem ênfase à vida. Humanos morriam porque assim Deus decretava, e o momento de sua morte era uma experiência metafísica. Era?... Quando um homem estava próximo a seu derradeiro suspiro, era a hora de convocar pastores, sacerdotes, rabinos, xamãs, fazer um balanço da sua vida e assumir seu verdadeiro papel no universo. Tente imaginar o Cristianismo, o Islamismo e o Hinduísmo em um mundo sem morte. O que seria também um mundo sem céu, inferno ou reencarnação. Histórias fantásticas descrevem a morte como uma figura envolvida em um manto negro com capuz empunhando uma grande foice. Um homem vive sua vida preocupando-se com mil coisas quando, subitamente, surge o “anjo da morte” tocando-lhe o ombro com seu dedo esquelético e diz: “Venha”!...  E o homem implora: Não!..Por favor! Espere mais um ano, um mês, um dia!!!... Mas a figura encapuzada sibila: “Você tem que vir agora”. E é assim que morremos.
A ciência e a cultura moderna têm uma visão totalmente diferente da vida e da morte. Não pensam que a morte seja um mistério metafísico nem tampouco a fonte do sentido da vida. Na verdade, para as pessoas evoluídas, a morte é um problema técnico que pode e deve ser resolvido. Na realidade ninguém morre porque uma figura envolta num manto negro bate em seu ombro, ou porque Deus assim decretou, ou porque a mortalidade faz parte de algum plano cósmico. Humanos morrem devido a alguma falha técnica. O coração para de bombear sangue. A artéria principal entope por acúmulo de gorduras. Células cancerosas espalham-se no fígado ou próstata. Germes multiplicam-se nos pulmões. E de quem é a responsabilidade por todas estas falhas técnicas?.. Outros problemas técnicos. O coração para de bombear sangue por falta de oxigênio suficiente no músculo cardíaco. Células cancerígenas se espalham porque uma mutação genética acidental reescreveu suas instruções. Germes se instalam nos pulmões porque algum portador espirrou no metrô. Nada metafísico. Somente problemas técnicos e todo problema técnico tem uma solução técnica. Não é necessário esperar a vinda de Cristo à terra para superar a morte. Alguns cientistas em laboratório podem fazer isto. As células cancerosas podem ser mortas através de quimioterapia. Os vermes dos pulmões podem ser extintos com o uso de antibióticos. Se o coração parar de bater é possível reanima-lo com medicamentos ou choques elétricos. Se a artéria principal entupir é possível desobstruí-la através de angioplastia com uso de stent. Se nada disto funcionar pode-se realizar o transplante de um órgão novo. A ciência ainda não tem solução para todos os problemas técnicos, mas não tardará o dia em que encontrará. O direito a vida não foi limitado.
Existem três maneiras de encarar a morte: Aceitá-la. Negá-la ou combatê-la. Nossa sociedade é dominada por pessoas que estão entre aceitá-la ou negá-la, mas há pessoas que preferem combatê-la. Mesmo a ciência proporcionando a criação de super-humanos eles serão amortais, e não imortais. Eles poderão morrer numa guerra, num acidente de trânsito e nada os trará de volta. Diferente de nós mortais, suas vidas não terão prazo de validade. 

domingo, 29 de outubro de 2017

A Cor da pele

Doze anos após Darwin atribuir a origem das espécies à seleção natural em seu livro, ele escreveu um outro de 889 páginas em que atribuía a origem das raças humanas às nossas preferências sexuais rejeitando, inteiramente, o papel da seleção natural. Até hoje a teoria de Darwin da seleção sexual continua controversa. No entanto, os biólogos não conseguem concordar com a razão pela qual a seleção natural produziu peles escuras nos trópicos. Alguns acreditam que a seleção natural teve um papel secundário na nossa origem racial dando preferência à seleção sexual. Devemos entender que a variação racial não é privilégio dos  humanos. A maioria das espécies, inclusive plantas com distribuição suficientemente ampla, incluindo todas as  espécies antropoides abarca muito dos mesmos traços que variam geograficamente nos humanos. Como definir se populações animais visivelmente distintas em localidades diversas pertencem a espécies diferentes ou se, em vez disso, são da mesma espécie, mas de raças diferentes?
Examinemos agora se a maior contribuição para nossas diferenças geográficas partiu da seleção natural ou da seleção sexual. Primeiro consideremos os argumentos da seleção natural que aumenta as chances de sobrevivência. Muitos negros africanos tem o gene da  Hemoglobina Falsiforme (Nenhum Sueco a possui) que os protege da temível doença tropical conhecida como malária. Os índios andinos tem o tórax avantajado que os ajuda na extração de oxigênio do ar rarefeito das altitudes. A forma compacta dos esquimós os ajudam na conservação do calor, assim como a forma esguia dos sudaneses facilitam a perda. Os olhos puxados dos asiáticos são bons para protegê-los do frio e do clarão do sol refletido na neve.
Estes são exemplos de fácil compreensão. Será que a seleção natural também explica as diferenças raciais como a cor da pele, a cor dos olhos, tipo e cor dos cabelos? Se assim for, devemos esperar que o mesmo traço (por exemplo, os olhos azuis) exista em diferentes partes do mundo com climas similares e que os cientistas concordem com sua utilidade.
A nossa pele tem um espectro que vai de vários tons de preto, marrom, cobre, amarelado ao rosado com ou sem sardas. A história mais comum para explicar esta variação termoluminescente da seleção natural é a seguinte. As pessoas na África ensolarada tem a pele mais preta. Então, supostamente, o mesmo sucede com outros lugares ensolarados como o norte da Índia, Amazônia e Papua Nova Guiné. Diz-se que a pele clareia à medida que se afasta para o norte e para o sul do Equador até chegar ao norte da Europa, onde se encontram as peles mais claras de todas. Obviamente, a pele escura se desenvolveu nas pessoas muito expostas à luz solar. Mas a pele das pessoas brancas bronzeando-se ao sol de verão. Só que neste caso é uma resposta reversível ao sol, não uma resposta genética permanente. Os brancos que passam muito tempo expostos ao sol tendem a desenvolver câncer de pele. Infelizmente as coisas não são tão simples. Como agentes da seleção natural a insolação tem impacto mínimo comparado às doenças infecciosas na infância. Uma das teorias favoritas afirma  que os raios ultravioletas do sol promovem a formação de vitamina D numa camada de pele abaixo de uma camada externa pigmentada. Assim os povos de áreas tropicais ensolaradas podem ter desenvolvido a pele escura para se proteger de doenças renais causadas pela falta de vitamina D, ao passo que os escandinavos que sofrem com invernos  longos e escuros,, desenvolveram a pele pálida para se protegerem do raquitismo causado pela falta de vitamina D.  Duas teorias populares afirmam que a  pele escura protege os órgãos internos do excesso de aquecimento causados pelos raios infravermelhos do sol tropical. Também o oposto, a pele escura  ajuda aos povos dos trópicos a se aquecerem quando a temperatura baixa. Isto não refuta a ideia de que, de alguma forma causou a evolução da pele escura nos climas quentes. Afinal, a pele escura apresenta diversas vantagens que os cientistas virão a descobrir. Em vez disso, a maior objeção a qualquer teoria baseada na seleção natural é que a associação entre pele escura e climas ensolarados é muito imperfeita. Há povos nativos com pele muito escura em algumas áreas que recebem relativamente pouca luz do sol, como a Tasmânia, onde a cor da pele é de tom médio. Nenhum índio da América tem a pele negra. Quando levamos em conta a luminosidade, vemos que as partes menos iluminadas do mundo com uma média diária de 3 1/2hs de sol são o sul da China e a Escandinávia que são habitadas por povos de pele mais escura, amarela e pálida que há. Nas ilhas Salomão que tem clima semelhante, os povos de pele escura e os de pele mais clara estão espalhados a pouca distancia. Evidentemente os raios de sol não foram o único  fator seletivo a influenciar a cor da pele.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O que todo criacionista deveria saber

Parte XV – Davi
Na escritura hebraica Davi não é só o doce cantor de Israel, o cinzelado poeta que toca harpa e compõe os Salmos. Após fazer  sua reputação matando Golias, Davi recruta um bando de guerrilheiros, extorque riquezas de seus concidadãos a poder da espada e luta como mercenário para os filisteus. Davi destrona seu sogro Saul e absorve as tribos meridionais de Judá, conquista Jerusalém e a faz capital do seu reino que durará quatro séculos. Davi será celebrado em historias, canções, esculturas e sua estrela de seis pontas simbolizara seu povo por três mil anos. Também é venerado como precursor de Jesus.                              Na família real sexo e violência andam de mãos dadas. Um dia, enquanto passeia pelo terraço da casa real, Davi espia uma mulher nua, Bate Seba, e gosta do que vê. Por isso manda o marido morrer em batalha e a adiciona a seu harém. Mais tarde um filho de Davi estupra uma irmã e é vingada por outro filho. O vingador, Absalão, reúne um exército e tenta usurpar o trono de Davi tendo relações com dez de suas concubinas. Perseguido pelos soldados de Davi  Absalão fica preso, pelos cabelos, a uma árvore e o general de Davi lhe crava três lanças no peito. Bate  Seba engana o senil Davi para que nomeie seu filho bastardo, Salomão, como seu sucessor. Quando o legítimo herdeiro, Adonias, o filho mais velho de Davi reclama, Salomão manda assassina-lo.                                                                                             A Bíblia retrata um mundo, aos olhos modernos, de uma selvageria chocante. As pessoas escravizam, estupram e assassinam membros de sua própria família. Mulheres são compradas, vendidas, estupradas e roubadas como brinquedos sexuais.
Jeová, tortura e massacra pessoas às centenas de milhares por desobediências triviais ou mesmo sem razão alguma. Não são atrocidades isoladas nem obscuras. Elas envolvem todos os principais personagens do Antigo Testamento e aparecem em uma linha contínua de um enredo que se estende por milênios começando por Adão e Eva, passando por Noé, Moisés, Josué, Sansão, Saul. Davi, Salomão, entre outros. A Bíblia hebraica contém mais de seis mil passagens que falam explicitamente sobre nações, reis ou indivíduos que atacam, destroem ou matam outros em nome de Jeová. Sem contar os mil versículos nos quais o próprio aparece como o executor direto de punições violentas e mais de cem outras em que o criador ordena expressamente que se matem pessoas.
A boa notícia, obviamente, é que a maior parte de tudo isto jamais aconteceu. Não há indícios que Jeová inundou o planeta ou incinerou suas cidades, assim como a saga dos profetas. Os historiadores não encontraram referência alguma sobre o êxodo de um milhão de cativos. Algo que não passaria despercebido pelos escribas egípcios. Os arqueólogos não descobriram, em Jericó, indício de saques em suas ruínas por volta de 1200 a.C. Se existiu algum império davídico que se estendia do Eufrates até o  Mar Vermelho na virada do primeiro milênio a.C., ninguém da época parece ter notado.
Estudiosos modernos da bíblia concluíram que ela foi um trabalho colaborativo nos moldes de nossa Wikipédia. Ela foi compilada  no decorrer de meio milênio por escritores que tinham diferentes estilos, dialetos, nomes de personagens, concepção de Deus e então montada a esmo o que a deixou repleta de contradições, duplicações e “non sequiturs”.                                                         
A imensa maioria de judeus e cristãos praticantes, nem é preciso dizer, são pessoas decentes que não sancionam o genocídio, o estupro, a escravidão ou o apedrejamento por infração sem importância.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Cordeiro ou cabrito?

“Não ser parte” está longe de não ter lado. Tenho meu lado e sou parte de mim mesmo.
Não sou fundamentalista, não faço parte de torcidas, não entro em filas para receber e muito menos para pagar. 
Sou agnóstico, apartidário, não pertenço a nenhum tipo de manada e ninguém me apascenta. Não fui criado à imagem e semelhança de ninguém, nem ficarei ao lado direito ou esquerdo de alguém por ter sido eleito ovino ou caprino. 
Sou uma ínfima parte desta evolução continuada, descoberta por Darwin, onde todos os seres vivos tem a mesma ameba como origem.
Tenho simpatia natural por aqueles que preferem andar na contramão. Não tenho nada a defender e me envaideço da minha vida sem amarras religiosa ou partidária. Há anos eu sou assim, não me considerando parte da massa, não pensando como a maioria.
Mentiria se dissesse que me orgulharia em desfilar de punho erguido ao som do Hino Nacional, não me sentiria satisfeito em acompanhar o Círio agarrado à corda nem seria ministro de qualquer seita ou dissidência. Muito menos ser, simplesmente, simpatizante de um partido que adotou todo o tipo de falcatrua como método de governo.
Não ter partido político ou religião é não ter lado? O risco de ter um lado para a democracia ou para a crença é maior do que não ter nenhum igualando desiguais. Onde está o elemento que aclama a inteligência e nos faz evoluir? Nas diferenças ou nas igualdades? Não se pode falar daquelas sem reconhecer estas, mas é perfeitamente possível evidenciar estas, fazendo tábua rasa daquelas. Está aí uma das diferenças entre a inteligência e a estupidez.
Grande número de indivíduos que se julgam exemplares da raça humana, formam grupos, ora políticos, ora religiosos, procurando igualdades no comportamento, no ideal e na filosofia tanto para o bem quanto para o mal. Se julgam os donos da verdade e alguns acham que herdarão um reino no céu, não aceitam divergências e normalmente tem líderes. Não descobriram que seus ganidos são ignorados pela natureza e continuam tentando provar o improvável. 
Não obstante existem aqueles que, apesar de viverem na mesma sociedade, não exercitam seu lado primata, tem filosofias únicas e raramente são maus. Mesmo sendo discriminados, perseguidos ou castigados dão contribuições substanciais através de suas experiências ponderáveis para várias ciências.
A raça humana continua incentivada a reproduzir párias em progressão geométrica e se organizam em bandos praticando infanticídios, assassinatos, seqüestros, estupros, assaltos e outras barbaridades que os Bonobos abominam. Desprezo bandos, desprezo manadas, desprezo miríades e nem guilda eu freqüento por desconhecimento. Parte do meu intelecto teme o pluralismo de um lado só. Já os indivíduos na sua singularidade me interessam. 
Não sou anti-social, mas minha confraria se resume em poucos dígitos. Posso até ter um lado primata, mas a outra parte é conservadora. Pode?... Pois é.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Herança mitocondrial de uma Eva primata

As mitocôndrias (mt DNA) estão localizadas no citoplasma das células, ao passo que os cromossomos localizam-se no núcleo celular, a grande diferença entre eles em termos de herança é que os genes nucleares (organizados no cromossomo) necessitam de um homólogo situado no mesmo local (locus) do cromossomo para que se manifeste no fenótipo. Essa manifestação depende de outros fatores que não vamos abordar aqui como a dominância, a recessividade, a homozigose etc. No caso do Homo Sapiens enquanto o DNA nuclear depende de 46 cromossomos da célula espermática, mais os 46 cromossomos homólogos da célula do óvulo para codificar o DNA do indivíduo que irá nascer o DNA mitocondrial provem somente do óvulo, já que as contidas no espermatozoide são eliminadas no momento da fertilização.
A divisão das mitocôndrias é independente da divisão celular e se dá quando há necessidade de mais energia. Essas diferenças entre os genomas do núcleo e da mitocôndria são marcantes, mas há outra ainda mais intrigante que surge quando se dá a fertilização de um óvulo por um espermatozoide.
                        Como todos sabem nesse processo o material genético do espermatozoide se mistura com o do óvulo. Cada participante, pai e mãe, contribui com 46 cromossomos que se misturam e combinam, formando os cromossomos nucleares do embrião.
                        Algo diferente acontece com os genes mitocondriais do espermatozoide. As mitocôndrias do espermatozoide são marcadas com um composto chamado ubiquitina e, quando penetram no óvulo, essa marca informa que elas devem ser destruídas. Pouco tempo após a fecundação, o embrião só tem mitocôndrias herdadas da mãe.
                        Em outras palavras: para as mitocôndrias só há herança materna. A genética das mitocôndrias não é mendeliana, pois as mitocôndrias do embrião são iguais às da mãe, exclusivamente. E assim por diante, ao longo das gerações: do ponto de vista mitocondrial, os machos não importam, ou importam quase nada
Isso levou à descoberta de que o DNA mitocondrial é muito bom para acompanhar linhagens genéticas. Como ele é herdado apenas da mãe, não sofre praticamente nenhuma recombinação. Também sofre pouco os efeitos da seleção natural devido a seus genes serem poucos e especializados. Os pesquisadores começaram então a usar o DNA das mitocôndrias para traçar a história evolutiva das populações.
                        Os genes do núcleo levam milhões de anos para acumular mutações, pois são relativamente bem protegidos. É por essa razão que 98% de nossos genes nucleares são iguais aos genes dos chimpanzés. Os genes mitocondriais mutam cerca de 20 vezes mais rapidamente que os nucleares pois sofrem a ação dos radicais livres e são nus. A resolução nas comparações entre genes é muito mais fina se o DNA das mitocôndrias é usado, em vez do nuclear, para rastrear as árvores genealógicas.
                        A função principal das mitocôndrias é a de RETIRAR ENERGIA DOS NUTRIENTES através da FOSFORILIZAÇÃO OXIDATIVA que se processa no interior das mitocôndrias através da produção de ATP (adenosina trifosfato).  Podemos dizer que as mitocôndrias são “a casa de força” das células principalmente as musculares completamente dependentes da liberação das reações metabólicas para o consumo de energia. A qualidade e extensão das contrações extensões musculares estão diretamente ligadas ao mtDNA e terão um desempenho de acordo com a eficiência da liberação de energia para esses movimentos.
ATP é a sigla para a Adenosina Tri-Fosfato, ou Tri Fosfato de Adenosina, mas todo mundo só chama de ATP. Essa molécula foi a engenhosa solução achada pela natureza e pela evolução para compor um sistema simples, rápido e robusto de trocar energia.
                         Em qualquer situação prática, trocas de energia precisam ser feitas de forma organizada para evitar perdas. Para isso, usamos pilhas, baterias, caixas d’água, represas, fios elétricos, enfim, um monte de esquemas para organizar a produção e o transporte da energia da fonte de geração ao consumidor.             
                        Nas células, esse gerenciamento é feito com o uso do ATP.
                        O ATP é TRANSPORTE que leva a energia do local onde é produzida (as mitocôndrias) para onde ela é requisitada, em outras partes da célula. Agora mesmo, quando você move o dedo para clicar seu mouse, os músculos de seu dedo estão tirando um pouco de energia das moléculas de ATP que estão por perto e usando essa energia para contrair as fibras, produzindo o movimento. O mesmo acontece com qualquer outro processo biológico que use energia - isto é, todos!
 É compreensível então a similaridade do desempenho muscular de cavalos PSI descendentes de determinadas linhas maternas mesmo que muito distantes no seu pedigree, ao mesmo tempo em que se verifica a inconstância do mesmo desempenho em relação aos filhos do mesmo pai. Também é notória a capacidade diferenciada para movimentos explosivos de curta duração e aqueles mais lentos de longa duração, não somente na estrutura das fibras musculares, mas também a capacidade explosiva de algumas linhagens de equinos QM em contraposição a capacidade de resistência de outras.
Selecionar por linhas maternas sólidas e comprovadas é uma forma de garantir a preservação de caracteres importantíssimos que somente nossas mulheres de fibra e qualidade podem proporcionar.

                        Por outro lado evidencia cada vez mais a impossibilidade do sonho de produzir trabalhadores diferenciados pela qualidade com origens maternas medíocres.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Aritmética do nada.

O governo petista de 2010 a 2016 marcou uma época em que nada foi produzido de positivo. Foi um zero à esquerda, um vácuo.
Suponhamos que o zero represente o nada. Na matemática é impossível chegar a 1 somando zeros. Somem todos os zeros imagináveis e nada teremos de positivo. Para os gregos e romanos a ideia de zero era inconcebível. Um nada não poderia representar alguma coisa. Ao ser inventado o sistema de contabilidade por partida dobrada, na Itália, por volta de 1340, o zero passou a ser encarado como a divisória entre créditos e débitos. Uma das teorias é que o zero vem da primeira letra da palavra grega "oudem"(nada). Uma mais delirante afirma que sua forma deriva da marca circular deixada na areia por uma estaca usada para contar.... A presença de uma ausência
Quando criança eu era intrigado com uma curiosidade chamada "conjunto vazio" que era representada por um colchete fechado sem nada dentro. Trata-se de um conjunto sem membros, como por exemplo, o que representa mulheres presidentes dos EUA. Ele é convencionalmente representado pelo símbolo {}.
Um dos maiores matemáticos do século XIX, Richard Dedekind considerava o conjunto vazio apenas uma ficção conveniente. Mais recentemente, um cientista americano, David K. Lewis destacou o conjunto vazio como um indivíduo especial com um traço de nada dele. Será que o conjunto vazio existe?... Pode haver algo cuja essência é abranger o nada? Na matemática ela é dada por certo. Sua existência pode ser provada pelos axiomas da teoria dos conjuntos.
Sejamos metafisicamente liberais. Ainda que haja apenas o nada, há um conjunto que o contém. Uma entidade governamental denominada Dilma representada por um conjunto vazio com o símbolo do nada dentro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Agrotóxicos


Às vezes não quero acreditar que vivo numa sociedade de analfabetos funcionais. Estou estarrecido assistindo a uma novela de grande audiência em que um personagem graduado numa universidade francesa prega a agricultura orgânica de subsistência em detrimento à agricultura industrial. O nome “Agricultura Sintrópica” é mais um verbete dos filhos da revolução verde improdutivos. O sistema há muito já é usado na Amazônia por pequenos produtores para recuperar nascentes, áreas degradadas e matas ciliares. Consorciando agricultura familiar, árvores frutíferas, apicultura e preservando ou plantando vegetação regional protegendo o ambiente. Muito válido para micro agricultores e assentados. Ernst Gotsch não descobriu a pólvora.  
Ora!..Ora!.. O autor deveria ter se informado sobre o assunto, antes de  difundir suas convicções políticas de esquerdista. Os agrotóxicos salvaram florestas e bilhões de vidas, e, o homem que mais ajudou a amenizar a fome das pessoas, não foi um político comprometido com o povo nem um líder religioso benevolente. Trata-se do químico alemão FRITZ HABER, cientista-chefe do departamento de armas químicas da Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial. HABER defendia o uso do gás cloro nas trincheiras coordenando um ataque em Ipres, na Bélgica onde a armas químicas alemãs mataram quinze mil soldados franceses e canadenses em abril de 1915.  Mas se deve a este homem uma invenção que transformou o mundo.
Em julho de 1909, num laboratório montado pela Basf, ao sul da Alemanha, ele misturou hidrogênio com nitrogênio do ar  numa câmara a 600° de temperatura e pressão 200 vezes a atmosférica ao nível do mar conseguindo produzir amônia. Haber produziu poucos centímetros cúbicos de amônia, menos que um pote de Danoninho.
Para entender a importância deste descobrimento é necessário lembrar como funcionava a agricultura, até então. As plantas não são capazes de retirar o nitrogênio do ar. Elas o absorvem, na terra, através das raízes. A cada colheita o solo se torna mais pobre em nitrogênio, que tradicionalmente  é remediado com esterco, que servia para recuperar o solo pobre em nitrogênio. Mas era necessária uma quantidade mastodôntica para alcançar algum efeito. Não havia pesticidas e fertilizantes sintéticos e os agricultores evitavam as pragas e doenças das plantas com técnicas milenares. As famílias plantavam e colhiam com as mãos ou ferramentas rudimentares, fazendo com que um hectare lhes rendessem 700 kg de trigo, ou 1/5 do que rende hoje. Este mundo idílico e ecologicamente correto tinha um resultado,...a fome.
A fome matou 10% dos ingleses entre 1315 e 1317, um terço dos russos entre 1601 e 1603, 10% dos franceses e noruegueses no final do século XVII e 20% dos irlandeses 1845 e 1849. Hoje a produção de nitrogênio é de 143 milhões de toneladas/ano. Para se obter 1kg de nitrogênio é necessário 1,5 tonelada de esterco de galinha, que é o mais rico em N. Ou seja... Para se obter um saco de fertilizante químico industrial serão necessários 22.000 kg de merda.
Com a ascensão de Hitler, Franz Huber se mudou para a Inglaterra e não viu uma de suas criações, o gás Ziklon A, criado para eliminar insetos que infestavam celeiros de trigos se transformar no gás da câmara de morte nazista.
Por onde passou, a combinação de fertilizantes, defensivos, máquinas e sementes selecionadas multiplicaram colheitas. No século XX, enquanto a população humana cresceu 3,7%, a produção de alimentos foi multiplicada por sete. O fato é que a agricultura evitou o desmatamento de milhares de hectares de floresta por ser possível produzir bem mais na mesma área. Cerca de 3 bilhões de pessoas, quase a metade da população humana, teria pouco o que comer caso a agricultura orgânica ainda predominasse.
 Não é à toa que as maiores crises de fome ocorridas no século XX foi fruto de política conduzida por analfabetos funcionais. É o caso da África onde as novas técnicas sofreram resistências de governos apegados á ideias de agricultura de subsistência. Na Etiópia, o governo comunista de Haile Selassie fez tudo o que podia para boicotar a importação de fertilizantes, tabelou preços e amontoou camponeses em fazendas estatais e proibindo o cultivo privado tornando a agricultura mais improdutiva do que era. O sistema feudal foi abolido com a queda de Salassie em 1975 e a perda de mais de 40.000 vidas extintas pela fome. A população aumentou em índices superiores ao da produção de alimentos e quando veio a seca de 1983 a 1985 não havia estoque de alimentos e 400 mil etíopes morreram de fome.  Na China houve a maior crise de fome do século XX. Durante o governo comunista de Mao Tsé-tung que, também, era contrário á fertilização e defensivos químicos para aumentar a produção agrícola, colheu 15 milhões de mortos pela fome entre 1958 e 1961. Mao Tsé-tung só abriu o olho em 1972 durante a visita de Richard Nixon. Na comitiva americana estava um executivo da KELLOGG e os chineses adquiriram cinco grandes fábricas de fertilizantes. Alguns anos depois a China já era a maior produtora de fertilizantes químicos do mundo.
Agricultura de subsistência ou orgânica é para pequenos produtores para seu próprio consumo ou venda em baixa escala.
Espero que os ecologicamente corretos ou filhos da revolução verde se lembrem de agradecer aos cientistas ambiciosos e grandes fazendeiros todas as vezes que saborearem um cereal, leite ou qualquer produto agrícola e respirar aliviado por viver numa época em que a agricultura orgânica não impera no mundo.   

         Obtive várias fontes de informações.  Geoffrey Blainey,  Yuval Harari, Wikipédia e principalmente Leandro Narloch.

domingo, 23 de agosto de 2015

Pombas brancas



Um dos livros mais vendidos no ano de 1969 foi o romance “O Enigma de Andrômeda”, de Michael Crichton, que conta a história de um grupo de cientistas envolvidos no estudo de um micro-organismo que faz o sangue  humano coagular rapidamente, provocando a morte. Embora seja um livro de ficção, O Enigma de Andrômeda é um relato arrepiante da ameaça biológica que determinados organismos podem representar ao sistema imunológico humano, que por nunca ter sido exposto a eles, não tem como combatê-los. No livro os organismos vêm do espaço sideral. Na vida real eles podem ser desenvolvidos na terra mesmo, por meio de atividades biotecnológicas humanas, propositais ou acidentais.
Para ilustrar as possibilidades, alguns anos atrás um grupo de pesquisadores australianos  produziu uma cepa de ectromelia infecciosa, uma variante do vírus da varíola, esperando esterilizar os ratos. De modo geral, a ectromelia infecciosa não representa perigo para os camundongos que participam da experiência, e os cientistas só queriam incrementá-la para esterilizar os roedores. Infelizmente, produziram uma variação do vírus tão letal, que matou até os ratos vacinados contra a moléstia.
Este é um ótimo exemplo de como um erro de cálculo pode criar a cepa de um vírus semelhante à varíola que, se sair dos limites do laboratório, pode causar uma pandemia incontrolável. Principalmente quando pesquisadores, como os australianos, publicam  a fórmula de seus vírus mortíferos em revistas científicas abertas para o mundo ler.]
Um exemplo prático do que deveria acontecer numa escala mais ampla é a epidemia de gripe espanhola após a Primeira Guerra Mundial. Em 1918 uma cepa de gripe surgida nos EUA acabou matando de trinta a cinquenta milhões de pessoas no mundo inteiro no período de um ano. Agora, imagine uma praga ou vírus com o poder de viajar por todo o mundo, como a epidemia de 1918, matando e infectando mais rapidamente. Não há vacina ou antibiótico capaz de combater. Vale salientar que isto poderia acontecer como resultado de processos naturais, não somente via mutação intencional de pesquisadores em laboratórios. Portanto a ameaça de uma pandemia global deixa de ser mero desastre e passa â categoria de verdadeira catástrofe.