quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tendência retrospectiva



  Os  neandertalenses se separaram do ancestral que partilharam conosco entre 600 e 550 mil anos atrás. Tinham uma capacidade craniana parecida com a nossa que fica numa média de 1.520 centímetros cúbicos. Eram fisicamente mais robustos que nós, com peito cilíndrico e músculos mais fortes e usavam cerca de 60 utensílios diferentes. Muitos encontrados naturalmente em seu habitat.
   Teoricamente os neandertalenses tinham as mesmas chances de se tornarem como nós no sentido de uma espécie hominídea inteligente capaz de viajar no espaço e comunicação interestelar. Não existem provas de que os neandertalenses tenham avançado além do ponto em que desapareceram, 30 mil anos atrás. Embora os paleontólogos discordem sobre muitas coisas, existe uma concordância quase total na literatura de que os neandertalenses não estavam a caminho de uma evolução substancial como a nossa. Eles eram organismos perfeitamente adaptados ao seu ambiente. Viviam em harmonia com a natureza, suas ferramentas continuaram imutáveis por mais de 200 mil anos. Só quando as culturas do alto paleolítico surgiram, há 35 mil anos, a inovação e a ordem arbitrária se diferenciaram.
  Mas, segundo a interpretação do paleontólogo Ian Tattersal, quando se compara a base do crânio nos registros arqueológicos sobre a capacidade do homem de Neandertal e seus precursores é difícil evitar a conclusão de que uma linhagem articulada como conhecemos hoje, é atribuição única de humanos modernos. A estrutura craniana dos mamíferos a base é plana, mas nos humanoides é arqueada. No homem de Neandertal ela quase desaparece. A julgar por sua base do crânio, (posição relacionada com a altura com que a laringe se localiza na garganta) os neandertalenses tinham habilidades verbais mais fracas do que outros arcaicos sapiens que viveram milhares de anos antes. O abismo entre nós e o resto da espécie hominídea seria então transposto por nossos ancestrais.
  O Homo Sapiens evoluiu posteriormente como descendente dos primeiros humanos, mas não houve nada de inevitável nisto. O Homo Sapiens porém, não é um organismo muito diferente do Homem de Neandertal, faz o mesmo que seus antepassados faziam mas um pouco melhor e muito diferente. Se a inteligência é um resultado previsível dos poderes da natureza, por que apenas uma espécie hominídea conseguiu sobreviver por tempo suficiente para fazer a pergunta: O que aconteceu com aqueles australopitecos bípedes e usuários de ferramentas?  O que aconteceu com aqueles Homos de grandes cérebros produtores da cultura habilis, erectus e neandertalenses?  Se os cérebros eram tão grandes, por que todas as espécies, menos uma, foram extintas?.
  Há milhares de anos atrás uma espécie de hominídeo classificada como Homo Sapiens sentiu necessidade de usar mais a sua capacidade cerebral provando que a necessidade é a mãe da invenção. Pelo fato de a evolução biológica ser basicamente um passeio aleatório no espaço de todas as possibilidades genéticas, ele tem sido muito lento. O cérebro não possui uma CPU única que processa cada comando em sequência. Ao contrário, possui milhões de processadores trabalhando juntos e ao mesmo tempo. O cérebro é constituído de cerca de 100 bilhões de neurônios de centenas de tipos, cada um deles contendo corpo celular, axônio, numerosos derdrídos e terminais axônicos que se ramificam para outros neurônios em aproximadamente mil trilhões de conexões sinápticas entre estas centenas de bilhões de neurônios.
   A criatividade envolve um processo de padronicidade ou de descobrir novos elementos e gerar produtos ou ideias originais a partir dele, mas carece de certo exercício cerebral constante. Os neandertalenses não tinham ou não desenvolveram esta capacidade. Apesar de todo este esforço para atingir este estado evolutivo, a raça humana precisa melhorar suas qualidades mentais aumentando sua complexidade para enfrentar novos desafios. Do  lado biológico o limite da inteligência humana  tem sido fixado pelo tamanho do cérebro que é determinado pelo canal do parto.
   Acredito que nos próximos 100 anos conseguiremos desenvolver bebês fora do corpo humano de modo a eliminar esta limitação favorecendo os implantes neurais, aumento de memória e pacotes de informações mil. Tais seres parecerão menos conosco. Como será batizada esta nova espécie, Homem Cibernético?

sábado, 13 de julho de 2013

A magia da complexidade


Não me surpreendo que, ao contrário do sol, do arco-íris e dos terremotos, o fascinante mundo daquilo que é muito pequeno tenha escapado à atenção dos povos primitivos. Eles não tinham como saber que este mundo existe, por isso  não imaginaram mitos para explicá-lo. As pessoas descobriram que as poças d’água, os lagos, a terra e até os nossos corpos fervilham de seres vivos pequenos demais para serem vistos, belos ou assustadores, dependendo de como pensamos neles. Isto aconteceu quando inventaram o microscópio no século XVI.
 A “criatura” que ilustra o texto é um ácaro, parente distante da aranha, mas tão diminuto que não conseguimos enxergá-lo. Eles existem aos milhares nas casas, rastejam pelos tapetes e pelas camas, inclusive a sua. Os ácaros do pó domiciliar são visíveis apenas ao microscópio e medem entre 200 e 500 micrômetros. Contudo, além dos ácaros terrestres, há ainda os aquáticos, inclusive marinhos. São em sua maioria predadores, mas há os fitófagos, detritífagos e os parasitas. Entre os ácaros parasitas do homem, existem os que atingem os folículos pilosos e glândulas sebáceas que provoca a formação de cravos e parasitas cutâneos, como  o causador da sarna humana. Este forma túneis na epiderme e libera secreções que provocam forte irritação. A deposição contínua de ovos nos túneis garante a perpetuação da infestação. Tomei o ácaro como exemplo por ser um gigante entre as bactérias e um hospedeiro humano.  Apesar de tão pequenino, contém mais de cem trilhões de átomos.
Se os povos primitivos soubessem da existência dos ácaros, você  já pode imaginar os mitos e lendas que poderiam inventar para explicá-los. O mundo todo é feito de coisas incrivelmente minúsculas que não podemos ver a olho nu. Muitas, de vital importância para nossa saúde, sem falar no átomo, que é a menor delas. E... no entanto dos “ditos” livros sagrados (ditados por um Deus que tudo sabe), nenhum...nenhum faz menção sobre tais coisas. Aliás, se analisarmos estes mitos e histórias contidas nas sagradas escrituras, veremos que elas não contém coisa alguma dos conhecimentos que a ciência desvendou. Não sabiam como tratar um câncer, uma lepra, tuberculose, também nada sabiam sobre a complexidade do motor a explosão, a fusão nuclear, a eletricidade ou os anestésicos. Como seria mesmo de esperar, as histórias dos livros sagrados não contém mais informações sobre o mundo do que aquelas já descritas por povos primitivos de acordo à sua sabedoria. Se estes livros sagrados  fossem realmente escritos ou ditados por Deuses que tudo sabem, é estranho que eles nada digam sobre coisas tão importantes e úteis como estas e outras. O homem criou Deus há 6000 anos e ele está em evolução.

Fui buscar inspiração no último tomo de  Dawkins “A Magia da Realidade” de 2012.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma energia imaginável



   Quem de vocês imagina que seja Deus além de um sopro que o homem idealizou como divino?
O ar é Deus, a fertilidade da terra é Deus, a água é Deus. Tudo o que se vê é Deus; o ar, o mar, a terra, o universo, o céu e o inferno. O homem é Deus porque se diz feito à sua imagem e semelhança e no homem existe a terra, o ar, a água e o fogo. E disso segue que o ar, a terra, a água e o fogo são Deus. Nosso corpo é feito e composto destes quatro elementos; a carne e os ossos são a terra, o sangue a água, a respiração o ar e o calor o fogo. Nosso corpo está sujeito  às condições do meio mas nosso sopro “divino” que é a alma, não. Porque ela é feita de uma substância mais nobre que o corpo, o éter.
   No homem existe intelecto, memória, vontade, pensamento, crença, fé e esperança. A isto damos o nome de alma e morto o corpo, morre a alma. Os criacionistas acreditam na existência de um segundo elemento denominado espírito que é dissociado da alma. Tem a mesma vontade do homem, rege e governa seus desejos e após a morte do corpo o espírito retorna a Deus. Portanto o homem é formado por corpo, alma e espírito. Uma antropologia tão abstrusa quanto complicada.
   Na verdade a alma tem vários nomes no corpo de acordo com as diversas funções que nele desempenha. Se a alma dá vida ao corpo é chamada de substância ou energia, se é a vontade é chamada de coração, quando ela entende e sente é chamada de juízo, quando imagina e pensa é chamada de memória, mas a inteligência está colocada na parte mais elevada da alma donde se recebe a razão e o conhecimento. Quando o corpo expira é chamada de espírito. De onde vem, então, a distinção entre a alma mortal e o espírito imortal?
Como eu não sou beato, não acredito em Jesus como salvador da minha inocência nem vou a missa aos domingos para provar que não sou judeu, terei duas mortes totalmente diferentes uma da outra. Uma morte corporal junto com a alma que é comum a todos, e uma morte espiritual. A morte para os ateus se chama morte e para os fiéis se chama sono. He, He, He... Para os ateus a morte corporal os priva dos amigos, a morte espiritual os priva dos santos e anjos. A morte corporal destitui os ateus dos bens materiais, a morte espiritual os destitui dos bens celestiais. A morte corporal tolhe os ateus dos movimentos corpóreos, a morte espiritual os torna imóveis como pedras. A morte corporal faz corpo cheirar mal, a morte espiritual faz a alma cheirar mal. Por fim, a  morte corporal retorna o corpo a terra, a morte espiritual leva a alma ao inferno.
   Meu alento é que; o intelecto, a memória, a vontade, o pensamento, a crença, a fé e a esperança, isto é, estas sete coisas são desnecessárias lá em cima, tanto no céu quanto no inferno. A eternidade é dócil, transparente e etérea como o Deus que nós criamos em espírito.   

sábado, 16 de fevereiro de 2013

DI = IE = Deus

                     
   A evolução biológica é glacialmente lenta se comparada com a evolução tecnológica. A razão disso é que a evolução biológica é darwiniana e requer gerações de sucessos reprodutivos, enquanto a evolução tecnológica é lamarckiana e pode ser implementada  em uma única geração.
A ciência e a tecnologia mudaram mais o nosso mundo no século passado do que nos cem séculos anteriores. Levamos 10.000 anos para ir da carroça ao avião, mas apenas 66 anos para sair de um voo motorizado a um pouso lunar. A lei de Moore, de que a potência computacional dos processadores dobraria a cada doze meses continua valendo e se aproxima de um ano. Cientistas da computação calculam que a potência dobrou 32 vezes desde a Segunda Guerra Mundial e que por volta de 2030 poderemos chegar à singularidade – O ponto em que o poder computacional alcançará níveis tão inimagináveis que vai parecer quase infinito e, portanto, relativamente falando, será indistinguível da onisciência. Quando isto acontecer o mundo vai mudar mais em uma década do que nas mil décadas anteriores.
Se extrapolarmos essa tendência para dezenas, centenas ou milhares de anos – uma simples piscadela na escala do tempo evolucionário – chegaremos a um cálculo realista do quão avançado estará uma IE. Vamos considerar algo relativamente simples como o DNA. Já podemos criar genes após 50 anos de engenharia genética. Uma IE que estivesse 50 mil anos à nossa frente certamente seria capaz de construir genomas inteiros, células, vida multicelular e complexos ecossistemas. A criação da vida é, afinal, apenas um problema técnico de manipulação molecular. Para nossos descendentes não tão distantes, ou para uma IE que venhamos a encontrar, a capacidade de criar vida será simplesmente uma questão de competência tecnológica.
Se hoje podemos criar genes, clonar mamíferos e manipular células tronco com a ciência e tecnologia desenvolvidas em apenas meio século, imaginem o que uma IE poderá fazer em 50 mil anos de progresso equivalente na ciência e na tecnologia. Para uma IE um milhão de anos mais avançada que nós, a criação de planetas e estrelas seria totalmente possíveis. E se universos são criados de buracos negros que entram em colapso – o que alguns cosmologistas julgam provável – não é inconcebível que uma IE suficientemente avançada possa ter criado um universo provocando o colapso de uma estrela em um buraco negro.
Que nome daríamos a um ser inteligente capaz de criar vida, planetas, estrelas e até universos? Se conhecêssemos a ciência e a tecnologia usadas na criação, chamaríamos esse ser de IE (inteligência extraterrestre); se não conhecêssemos a ciência e a tecnologia subjacentes, o chamaríamos de Deus.
O cosmo é imenso com espaços vazios, de modo que a probabilidade de contato com uma IE é remota. A velocidade de nossa nave espacial mais distante,  Voyager I, em relação ao sol é de 17.245 Km/s, ou 62.080 Km/h. Se a Voyager I estivesse se dirigindo para o sistema estelar mais próximo de nós, o Alfa Centauro, situado há 4,3 anos-luz de distância levaria um período incomensurável de 74.912 anos para chegar lá.
A probabilidade de fazer contato com uma IE que seja ligeiramente mais avançada que nós é praticamente nula. Isto dá asas aos ateístas para afirmarem que a crença na existência de Deus é cognoscível. Com o argumento de que não existem provas suficientes da existência de Deus, os ateístas incluem Deus na arena epistemológica das ciências empíricas. Se surgirem provas suficientes de que Deus existe os ateístas concordariam, mas não existem.
Como distinguir um Deus onipotente e onisciente de um Design Inteligente ou de uma Inteligência Extraterrestre extremamente poderosa?
Estamos em busca deste ser, como teístas ou ateístas mesmo deparando com a última lei de Shermer, “Qualquer inteligência extraterrestre suficientemente avançada é indistinguível de Deus”   

domingo, 20 de janeiro de 2013

Herança Maldita

Edifício Real Class - Belém Pa.



Na prova da OAB de Dez/2010, se candidataram mais de 100.000 bacharéis em Direito. No entanto só (SÓ) 9,74% conseguiram aprovação. Na prova de 2011 foram 121.309 candidatos com uma histórica e aplaudível aprovação de 15,02%. Isto quer dizer que as 1.240 “Faculdades de Direito” existentes no Brasil estão formando RÁBULAS. Mas a OAB é o único órgão que separa o joio do trigo.
Na medicina o nível de conhecimento dos formandos não é diferente. Formam-se mais açougueiros do que médicos. Na área de exatas o vexame é pior, ser Engenheiro é ter moenda. Deixei de ser engenheiro em 2010 quando vendi meu engenho, nunca mais faço garapa.
Falo mais de engenharia por ser minha área. Conheço muitos que saem da Universidade ser saber cálculos. Não sabem a diferença entre uma planta e uma receita. Uma difere em muito da outra.
Uma planta é a especificação detalhada, ponto a ponto, de um produto final como uma casa, uma ponte ou um carro. A planta se caracteriza por sua reversibilidade. Dê um carro a um “Engenheiro” que ele reconstruirá sua planta. Há um mapeamento escalar entre os componentes de uma planta e os componentes do produto final.
DEsmoronamento a 29/01/2011

Uma receita é a especificação detalhada, ponto a ponto, de um produto final como um suflê, uma lasanha ou um spaghetti mas sem reversibilidade. Dê um fusilli speciale a um Chef rival para experimentar e ele não conseguirá reconstruir a receita. Não existe um mapeamento ponto a ponto que identifique cada pedaço. Não é possível isolar uma bolha de suflê e procurar na receita o ponto que a determine. Todas as palavras da receita se combinam para formar o prato inteiro. Todo Gran Chef sabe seguir e fazer receitas. Outrossim, todo Engenheiro tem a obrigação de ler plantas, mesmo não sabendo fazê-las.
Todos se lembram  de que tudo que havia de errado no governo de Lula era fruto da herança maldita deixada por FHC. Ninguém atinou para a herança maldita que Lula deixou para Dilma na educação e na saúde. Sem falar da corrupção que mina todos os setores.
Mas há quem diga; As ARTs dos prédios que estão ruindo não foram assinadas por formandos da era Lula. Pior!...
A hora mais escura é a que precede a aurora e esta hora ainda não chegou.
Meus pêsames!...