sábado, 16 de fevereiro de 2013

DI = IE = Deus

                     
   A evolução biológica é glacialmente lenta se comparada com a evolução tecnológica. A razão disso é que a evolução biológica é darwiniana e requer gerações de sucessos reprodutivos, enquanto a evolução tecnológica é lamarckiana e pode ser implementada  em uma única geração.
A ciência e a tecnologia mudaram mais o nosso mundo no século passado do que nos cem séculos anteriores. Levamos 10.000 anos para ir da carroça ao avião, mas apenas 66 anos para sair de um voo motorizado a um pouso lunar. A lei de Moore, de que a potência computacional dos processadores dobraria a cada doze meses continua valendo e se aproxima de um ano. Cientistas da computação calculam que a potência dobrou 32 vezes desde a Segunda Guerra Mundial e que por volta de 2030 poderemos chegar à singularidade – O ponto em que o poder computacional alcançará níveis tão inimagináveis que vai parecer quase infinito e, portanto, relativamente falando, será indistinguível da onisciência. Quando isto acontecer o mundo vai mudar mais em uma década do que nas mil décadas anteriores.
Se extrapolarmos essa tendência para dezenas, centenas ou milhares de anos – uma simples piscadela na escala do tempo evolucionário – chegaremos a um cálculo realista do quão avançado estará uma IE. Vamos considerar algo relativamente simples como o DNA. Já podemos criar genes após 50 anos de engenharia genética. Uma IE que estivesse 50 mil anos à nossa frente certamente seria capaz de construir genomas inteiros, células, vida multicelular e complexos ecossistemas. A criação da vida é, afinal, apenas um problema técnico de manipulação molecular. Para nossos descendentes não tão distantes, ou para uma IE que venhamos a encontrar, a capacidade de criar vida será simplesmente uma questão de competência tecnológica.
Se hoje podemos criar genes, clonar mamíferos e manipular células tronco com a ciência e tecnologia desenvolvidas em apenas meio século, imaginem o que uma IE poderá fazer em 50 mil anos de progresso equivalente na ciência e na tecnologia. Para uma IE um milhão de anos mais avançada que nós, a criação de planetas e estrelas seria totalmente possíveis. E se universos são criados de buracos negros que entram em colapso – o que alguns cosmologistas julgam provável – não é inconcebível que uma IE suficientemente avançada possa ter criado um universo provocando o colapso de uma estrela em um buraco negro.
Que nome daríamos a um ser inteligente capaz de criar vida, planetas, estrelas e até universos? Se conhecêssemos a ciência e a tecnologia usadas na criação, chamaríamos esse ser de IE (inteligência extraterrestre); se não conhecêssemos a ciência e a tecnologia subjacentes, o chamaríamos de Deus.
O cosmo é imenso com espaços vazios, de modo que a probabilidade de contato com uma IE é remota. A velocidade de nossa nave espacial mais distante,  Voyager I, em relação ao sol é de 17.245 Km/s, ou 62.080 Km/h. Se a Voyager I estivesse se dirigindo para o sistema estelar mais próximo de nós, o Alfa Centauro, situado há 4,3 anos-luz de distância levaria um período incomensurável de 74.912 anos para chegar lá.
A probabilidade de fazer contato com uma IE que seja ligeiramente mais avançada que nós é praticamente nula. Isto dá asas aos ateístas para afirmarem que a crença na existência de Deus é cognoscível. Com o argumento de que não existem provas suficientes da existência de Deus, os ateístas incluem Deus na arena epistemológica das ciências empíricas. Se surgirem provas suficientes de que Deus existe os ateístas concordariam, mas não existem.
Como distinguir um Deus onipotente e onisciente de um Design Inteligente ou de uma Inteligência Extraterrestre extremamente poderosa?
Estamos em busca deste ser, como teístas ou ateístas mesmo deparando com a última lei de Shermer, “Qualquer inteligência extraterrestre suficientemente avançada é indistinguível de Deus”   

5 comentários:

Altamirando Macedo disse...

"Militante agnóstico", esta é a minha posição sobre a existência de Deus: eu não sei e você também não.

Eduardo Medeiros disse...

ótimo texto, Mirandinha.
Pena que não estaremos lá para ver essa revolução toda.
mas veja: toda essa tecnologia virá das mãos e da mente do homem.
parece que os orientais não estão tão errados quando dizem que nós somos deuses.

Altamirando Macedo disse...

Edu meu caro´,
Nós já evoluimos muito, pena que a maioria ainda anda de jegue porquê não tem condição de ver. Seus olhos estão tapados pela fé cega.

Eduardo Medeiros disse...

Mirandinha, eu concordo com a ideia do Design inteligente; aliás, quem não concordaria? quem pode dizer que um olho não foi feito para ver? que pernas não foram feitas para andar?
Toda a natureza está assentada em sistemas inteligentes.
E o maior deles, é a mente humana. Nossa mente vê um olho e vê ali um propósito.
SE deus(leia-se uma causa inteligente) não existe, a própria matéria do universo é inteligente e eterna, e busca através da evolução, a perfeição.
E quem pode negar que o ápice dessa evolução seja a própria mente humana, que em última instância, é a própria mente do universo?
Dizer que a evolução é cega e burra, é algo que nem Dawkins ousa dizer.

Altamirando Macedo disse...

Edu meu caro,

Nós não evoluimos o suficiente para afirmar com evidências como, quando e por quem fomos criados. As crenças sem fundamentos não são válidas e a inteligência humana ainda é incapaz.