sábado, 13 de julho de 2013

A magia da complexidade


Não me surpreendo que, ao contrário do sol, do arco-íris e dos terremotos, o fascinante mundo daquilo que é muito pequeno tenha escapado à atenção dos povos primitivos. Eles não tinham como saber que este mundo existe, por isso  não imaginaram mitos para explicá-lo. As pessoas descobriram que as poças d’água, os lagos, a terra e até os nossos corpos fervilham de seres vivos pequenos demais para serem vistos, belos ou assustadores, dependendo de como pensamos neles. Isto aconteceu quando inventaram o microscópio no século XVI.
 A “criatura” que ilustra o texto é um ácaro, parente distante da aranha, mas tão diminuto que não conseguimos enxergá-lo. Eles existem aos milhares nas casas, rastejam pelos tapetes e pelas camas, inclusive a sua. Os ácaros do pó domiciliar são visíveis apenas ao microscópio e medem entre 200 e 500 micrômetros. Contudo, além dos ácaros terrestres, há ainda os aquáticos, inclusive marinhos. São em sua maioria predadores, mas há os fitófagos, detritífagos e os parasitas. Entre os ácaros parasitas do homem, existem os que atingem os folículos pilosos e glândulas sebáceas que provoca a formação de cravos e parasitas cutâneos, como  o causador da sarna humana. Este forma túneis na epiderme e libera secreções que provocam forte irritação. A deposição contínua de ovos nos túneis garante a perpetuação da infestação. Tomei o ácaro como exemplo por ser um gigante entre as bactérias e um hospedeiro humano.  Apesar de tão pequenino, contém mais de cem trilhões de átomos.
Se os povos primitivos soubessem da existência dos ácaros, você  já pode imaginar os mitos e lendas que poderiam inventar para explicá-los. O mundo todo é feito de coisas incrivelmente minúsculas que não podemos ver a olho nu. Muitas, de vital importância para nossa saúde, sem falar no átomo, que é a menor delas. E... no entanto dos “ditos” livros sagrados (ditados por um Deus que tudo sabe), nenhum...nenhum faz menção sobre tais coisas. Aliás, se analisarmos estes mitos e histórias contidas nas sagradas escrituras, veremos que elas não contém coisa alguma dos conhecimentos que a ciência desvendou. Não sabiam como tratar um câncer, uma lepra, tuberculose, também nada sabiam sobre a complexidade do motor a explosão, a fusão nuclear, a eletricidade ou os anestésicos. Como seria mesmo de esperar, as histórias dos livros sagrados não contém mais informações sobre o mundo do que aquelas já descritas por povos primitivos de acordo à sua sabedoria. Se estes livros sagrados  fossem realmente escritos ou ditados por Deuses que tudo sabem, é estranho que eles nada digam sobre coisas tão importantes e úteis como estas e outras. O homem criou Deus há 6000 anos e ele está em evolução.

Fui buscar inspiração no último tomo de  Dawkins “A Magia da Realidade” de 2012.

16 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Demorei muito para publicar minhas conjecturas. Peço desculpas e já ativei a acidez novamente. No texto eu quiz mostrar que mito é mito e não podemos ser geridos por mitos. O universo é muito complexo para ficarmos presos a lendas.A ciência evoluiu mas os seguidores do criador não.

Donizete disse...

Não seria a ausência de citação o fato da Bíblia não ser compêndio de ciência? De ter sido escrita num período pré-científico? E que essa ideia de Deus como gestor é uma invenção dos fundamentalistas, relativamente nova?

Altamirando Macedo disse...

É Donizete, acreditar que temos um criador é o mesmo que dar um chute nos córneos da ciência. Seria preguiça mental e até desonestidade, pois acreditar no sobrenatural equivale a afirmar que nenhuma explicação científica tem valor. O que está escrito nos livros sagrados é fruto do conhecimento contemporâneo. Se fosse escrito por uma entidade "Sabe-tudo" teria descrito o que a evolução científica fez através de sua evolução.

Eduardo Medeiros disse...

Pô,Mirandinha, não acredito que você falou de ácaros para dizer que as sagradas escrituras nada falam deles...

Que que houve? a ausência de deixou meio lerdo das ideias???


p.s: putz, que desgraça essa verificação para provar que eu não sou um robô!!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

O que os livros sagrados têm de divino seria a inspiração ou motivação de seus autores para escreverem coisas edificantes. Principalmente no plano ético. Porém, são literaturas predominantemente humana que refletem observações empíricas e valores morais de determinados lugares e épocas. Lembrem os que Levítico, por exemplo, generaliza em excesso o que seria considerado como "lepra", o que acabava mandando muita gene sadia para a quarentena. Porém, era o que os sacerdotes podiam perceber de algo capaz de colocar toda uma cidade ou uma nação em risco.

Altamirando Macedo disse...

Pois é Eduardo Medeiros, falei de ácaros para mostrar a insignificância dos livros sagrados. Tão insignificante quanto aos ácaros. Não poderia falar de átomos nem de galáxias, seria covardia.

He, he, he...Entendeu pelo caminho tortuoso. Como eu me ausentei por muito tempo terei que me fazer acostumar.

Altamirando Macedo disse...

Rodrigo, concordo contigo.As "sagradas escrituras" nada tinham de sagradas, não foram escritas nem ditadas por nenhum Deus que sabe tudo.", são literaturas predominantemente humana que refletem observações empíricas e valores morais de determinados lugares e épocas. A coimeçar pelos Dez Mandamentos.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Mas aí que tá, amigo. O material utilizado é humano, mas creio que a motivação/inspiração para edificar a sociedade venha do Espírito de Deus. O problema é que muitas religiões praticam uma espécie de bibliolatria. Só que "a letra mata"...

Altamirando Macedo disse...

Rodrigo, até que eu posso aceitar as motivações humanas, sua ética e seus costumes,mas sem a interferência do mito. O mito permite a bibliolatria.

Alexandre - Condor disse...

Essa postagem me fez lembrar de um episódio em que vi o ódio no olhar de um crente fundamentalista quando tentou me explicar o motivo das doenças:
Ele disse que o motivo das doenças da humanidade era a desobediência e tal desobediência deixaria o campo livre para o diabo atuar proliferando as pestes pelo mundo.
Fiquei calado, implorando para que ele não me perguntasse nada...foi inútil.
Ele perguntou: O que você acha? Por acaso estou errado.
Daí eu falei: você vai me dizer...
Perguntei: O diabo pode criar vida?
Não nunca, o diabo apenas manipula o mal e é um enganador. Quem cria a vida é Deus só ele tem o dom de dar vida. Disse ele.
Daí disse: A maioria gritante das doenças são causadas por vírus e bactérias, ou seja, formas de vida.
Portanto é Deus que cria as doenças e é o diabo que as manipula?
Pronto... foi-se a tolerância cristã.
O que você está dizendo? Você está louco? Está cego?
E eu com a paciência de Jó, apenas disse: eu não disse nada, quem disse foi você!

Altamirando Macedo disse...

Alexandre, é isto que acontece quando se discute com um pombo. Ele sempre estufa o peito. A ignorância nunca foi mãe da invenção. Quando o cidadão me diz que é crente, também está me informando o tamanho de sua cultura e a sua capacidade de discernimento.Prefiro discutir com uma coruja, ela ao menos presta atenção.

Matheus De Cesaro disse...

Nobre Amigo Altamirando,

Em "A Mensagem do Mito" Joseph Campbell diz:

“Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.”

Eu concordo com a argumentação contrária ao mito, em relação a capacidade humana, suas experiência, o sentimento de estar realmente vivo e sua valorização. Quando ditamos verdades por meio de mitos, me parece que automaticamente estamos a desprezar e anular a capacidade do homem de encontrar nele mesmo e nos eventos que ocorrem no cosmos suas respostas.

Mas ainda assim, vejo que os mitos, quando interpretados como mitos, ou seja, metáforas e analogias, tem suas utilidades. O problema esta em insistir na ideia de que mitos são verdades incontestáveis, que não podem ser revogadas, contrariadas ou superadas. Precisamos ter o cuidado de considerar cada conceito da forma como ele é, e assim não acrescentar a ele nem mais e nem menos do que ele representa. Não há como dizer que ovo é costela e nem que costela é ovo, e é isso que alguns não entendem, ou esforçam-se para não entender.

Fraterno abraço.

Edson Moura dos Santos disse...

Gostei do texto Altamirando, e acredito que tenha captado sua mensagem.

Minha opinião é que Deus nunca falou nada sobre microbilologia, simplesmente por "Deus não existe", pois se existisse, ele narraria a história da humanidade do "inicio" ao "Fim". Sendo o início bem anterior a Adão e o Fim muito posterior ao Apocalipse.

Altamirando Macedo disse...

Mateus, para o mesmo comentário, a mesmo réplica.

Altamirando Macedo disse...

Edson Moura, o Deus cristão de nada sabia, muito menos de vírus ou outros parasitas que dizimava o povo hebreu. A única vez que se dirigiu ao povo para ditar suas leis fez um tratado de exclusividade enaltecendo seu próprio primado, sua exclusividade, autoafirmação e egoísmo. Estava preocupado com bois e jumentos alheios. Não determinou nenhum preceito vital para a manutenção da espécie. O cristão inventou um Deus inútil e o dotou de falsos poderes.

Matheus De Cesaro disse...

Ok Nobre Amigo...

Já repliquei por lá também.