domingo, 18 de março de 2012

A maldade humana.


Mencio Mong Tsé (371 A. C.- 289 A.C.) sustentava que os seres humanos são naturalmente bons e agem naturalmente de maneira moral. São dotados de compaixão e da capacidade de distinguir o bem do mal e, por isso o mal é resultado de influencias externas.
Han Fei Tsé (280 A.C. - 233 A.C.) defendia que os seres humanos são naturalmente maus e precisam da educação e da pressão politica para se tornarem bons.
A maldade humana é afinal Intrínseca ou adquirida? A filósofa Suzan Neimam parte do terremoto de Lisboa para mostrar como o mal deixou de ser divino para se tornar criação do homem”. Para a autora, o terremoto de Lisboa em 1755 é um divisor de águas nas concepções sobre o mal. Antes deste evento que abalou a Europa, prevalecia “a visão de males naturais como punição para males morais”. Lisboa aboliu as causas morais, absolveu Deus e os pecados coletivos, e os terremotos passaram a ser vistos como desastres naturais, algo fora da intenção divina ou responsabilidade humana. Explicar o mal como processos naturais, implicando mais a natureza em si, foi uma forma de tornar o mundo menos ameaçador. Deus não é mais agente punitivo, causa de males que retornam aos homens como forma de castigo. O mal depois de Lisboa é reduzido ao seu aspecto moral, aquele praticado pelo homem, por deliberação de sua vontade.
Por não sabermos ainda produzir, em nossos pensamentos, atitudes e ações o bem em toda a plenitude, estamos às voltas com as sobras, com os resíduos das nossas paixões, de que devemos nos livrar. Não é simples, porém, nos livrarmos do mal que produzimos. Mal que nasce em nós, nos impregna e temporariamente passa a fazer parte de nossa personalidade.
Diante da banalização do mal que se espalha pelo mundo dos homens, resta-nos individual e coletivamente nos lançarmos ao bom combate, que é constante, exigindo-nos disciplina e perseverança. A guerra do bem contra o mal, tema de incontáveis livros e filmes, deve ser travada nos domínios dos nossos próprios corações, acima de tudo. Se já desencadeamos o mal, somente nos resta sofrer-lhe as conseqüências, com serenidade e resistência.
Se nos embaraçamos nas tramas do mal, não basta arrependermo-nos de nossos atos e nos comprometermos à mudança por desencargo de consciência (ou por quaisquer formas de promessas); é necessário meditarmos profundamente no móvel de nossas ações; é preciso, enfim, mergulharmos a sonda da investigação em nosso espírito para o exame de nossos mais profundos sentimentos e pensamentos.
Se a nossa má ação decorreu, por exemplo, do exercício da violência, devemos buscar em nosso coração as raízes desta violência, esteja ela onde esteja; e somente há um meio de extirparmos definitivamente as raízes de todos os males: estarmos de permanente prontidão para domar, controlar-lhes as expressões... Aprende-se nas reuniões dos Anônimos (alcoólicos, em particular) que nossos vícios (as más paixões) não tem propriamente cura, mas tão somente controle. As lutas sem fim e sem quartel contra o mal exige-nos, desta forma, uma plena disponibilidade de vigilância.
Caso nossa "meditação" acerca das raízes e frutos do mal seja superficial; caso não examinemos com rigor as causas de nossas ações, fatalmente incorreremos nos mesmos erros, quando as circunstâncias mudarem, quando forem outros os cenários. O motivo da reincidência está em que nós não exercitamos nosso "raciocínio moral", que também se desenvolve como o raciocínio lógico, matemático, etc.
O mundo não está ameaçado pela maldade humana, e sim por aqueles que as permitem.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O "Evangelho segundo São Barnabé".

Uma bíblia de 1500 anos foi descoberta na Turquia, após a prisão de uma quadrilha que comercializava antiguidades de forma ilegal. O livro, feito em couro tratado e escrito em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus, tem as páginas negras, por causa da ação do tempo.
São muitas as vozes que afirmam que esta versão da bíblia turca é o controverso Evangelho de Barnabé, que contradiz o Novo Testamento e aproxima-se da visão de Jesus da religião islâmica.
Há informações de que o Vaticano demonstrou preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem que especialistas da Igreja Católica pudessem avaliar o livro e seu conteúdo, que se suspeita, contenha o “Evangelho de Barnabé”, escrito no século XIV e considerado controverso, por descrever Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica.
Segundo reportagem do jornal turco Zaman, o livro teria uma cópia do Evangelho de Barnabé. O santo seria um dos 70 seguidores de Cristo e o livro teria sido suprimido dos Evangelhos pela Igreja Católica. Para os muçulmanos, no livro, Jesus teria predito a vinda do profeta Maomé, fundador do Islamismo.
Segundo informações do site Notícias Cristãs, peritos avaliaram o livro e garantiram que o artefato é original. A descoberta do livro se deu em 2000, e desde então, vinha sendo mantido em segredo, guardado em um cofre-forte na cidade de Ancara.
O Evangelho de Barnabé é um pseudepígrafo da Era Medieval que apresenta a história dos Evangelhos de um modo diferente.
Embora o livro seja atribuído a Barnabé, um exame do texto sugere que tenha sido escrito por um italiano do século XIV.. Há uma série de indícios que sugerem ser este o Evangelho de Barnabé citado anteriormente. Contrariando os evangelhos, e em conformidade com o ponto de vista islâmico sobre Jesus, este Evangelho de Barnabé afirma que Jesus não era o filho de Deus, mas um profeta, e chama Paulo de "Enganador." O livro também diz que Jesus ascendeu vivo ao céu, sem ter sido crucificado, e que Judas Iscariotes teria sido crucificado em seu lugar.
A obra apresenta diversas discrepâncias e incoerências. Entre as incoerências está uma confusão entre os termos 'Messias' e 'Cristo', os quais têm o mesmo significado, a saber, 'Ungido', e o autor afirma que Jesus teria dito ser o Messias, mas não o Cristo. A contradição é clara o saber que ambos os termos divergem apenas em seu idioma, sendo que Messias é do Hebraico e Cristo do Grego.
Há erros geográficos e anacronismos que tornam muito difícil a recepção desta obra como sendo realmente redigida por Barnabé. No entanto, os estudos mais independentes estabelecem que a obra conhecida como Evangelho de Barnabé é uma falsificação do século XIV.
De qualquer maneira esta “Bíblia turca” vai trazer muitos dissabores para a igreja cristã, principalmente quando descobrir que a aldeia de Nazaré distava quatorze quilômetros do Mar da Galiléia. E que Herodes e Pilatos nunca reinaram sobre a Judéia ao mesmo tempo. Herodes governou a Judéia de 37 a 4 a.C. enquanto Pilatos governou de 26 a 30 d.C. isto vai centrifugar a piolhenta dos crentes. São nove céus eqüidistantes quinhentos anos na marcha de um homem. Há céus para todos e dá até para ir de fusca.
Com certeza o “Evangelho segundo São Barnabé” vai refutar o apologismo cristão do Novo Testamento.