domingo, 30 de outubro de 2011

Por quê sou contra divisões

Há um plebiscito anunciado para o dia 11/12/ 2011 com a intenção de dividir o atual estado do Pará em três estados diferentes. O estado de Tapajós, com uma área de 718 mil km², 1,3 milhão de habitantes e um eleitorado com 795.978 votos. O estado de Carajás com uma área de 290 mil Km², 1,7 milhão de habitantes e um eleitorado com 959.938 votos. O atual estado do Pará ficaria com 232 mil Km², 4,6 milhões de habitantes e um eleitorado com 3.073.468 votos. Tenho alguns motivos para votar contra esta divisão.
Primeiro: Todos os estados que foram criados através de divisões continuam sobrevivendo de esmolas federais. Nenhum conseguiu sua auto-suficiência. Todos os países que foram divididos estão em crise, se não econômicas, políticas. Quanto ao crescimento, exceto o Japão que pagou caro por isso, todos os que cresceram são territorialmente extensos. Cientificamente só cresce somando ou multiplicando.
Segundo: O estado do Pará dividido não sobreviverá só com o parque industrial de Ananindeua e não lhe cabe o turismo. Não tem ruínas históricas, não tem vultos importantes nem belezas naturais exclusivas. Enfim; trabalhar com pobre é pedir esmola para dois.
O estado do Tapajós, se criado, terá como principal receita a energia gerada através de hidrelétrica e nascerá com um custo de 2,2 bilhões/ano gastando 51% disto com sua máquina pública. O estado de Carajás, se criado, nascerá recebendo 80% dos royalties de mineração arrecadados hoje no Pará. Contaria com um investimento, através das mineradoras, de 33 bilhões até 2015 e teria uma receita de 2,7 bilhões/ano com um custo de 2,9 bilhões/ano fora os gastos com implantação de infra estrutura. O governo federal desestimula a agropecuária na Amazônia determinando sua falência a médio prazo.
Terceiro: Com o caráter, a honestidade e a integridade moral de nossos políticos existentes, estamos pagando para ver novos marginais ocupando vagas municipais, estaduais e federais oferecidas por dois novos estados criados por nós. O estado de Carajás seria o estado mais rico da região, o mais violento e o mais corrupto. Além do mais, as duas regiões separatistas contam com 35% dos votos cadastrados e válidos. Se aprovarem a separação, configuram a primeira falcatrua.

7 comentários:

Alexandre - Condor disse...

A intensão é exatamente essa meu amigo Altamirando: mais cidades equivalem a mais políticos vagabundos para mamar o dinheiro público e ter sempre motivos para pedir mais verba, mediante a desgraça dos desfavorecidos! Esse é o Brasil que cansamos de ver!

Pobreza e Desgraça gera renda para os governantes que dependem delas para se reeleger! Só isso importa!

abraço

Altamirando Macedo disse...

Como se não bastasse a movimentação popular conta a corrupção, estamos assistindo a divisão de um estado favorecendo esta intenção. O que beneficia a divisão de um estado senão a corrupção?

É isto, Alexandre. Obrigado pela visita.
Abraços.

Alexandre - Condor disse...

Não sei onde vamos parar! Sinceramente...
De um lado essa divisão pró-corrupção. Do outro estudantes vagabundos e ricos protestam para fumar maconha na USP sem repressão da polícia!
É Brazil com Z de Zona!

Altamirando Macedo disse...

Alexandre,

Até que enfim, o Bsasil atingiu sua essência. Somos marginais por vocação e herança. Nossos políticos refletem nossos anseios. Os cidadões de segunda categoria dividem o poder, de um lado os bandidos marginais ,do outro os bandidos políticos. O Brasil não é uma zona, ele é um cabaré gerido pela fina flôr da nossa sociedade.
Somos os melhores do mundo em corrupção, futebol e prostituição.

Alexandre - Condor disse...

Impecável seu comentário Altamirando! Penso praticamente a mesma coisa! Apesar de que quero muito ainda me tornar servidor público! Não para mamar o dinheiro público, mas para fazer a diferença e claro ter a tão sonhada estabilidade!

Altamirando Macedo disse...

Alexandre,

Neste sentido sou bastante radical. Procuro não usar nada oferecido pelo governo, não necessito do INSS, eu nem meus filhos freqüentaram escola pública, não recebo esmolas como bolsa família ou PRONAF. Só pago imposto quando não tem jeito.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Caro Altamirando,

Penso que não podemos absolutizar as coisas.

Apesar de ser contra a ideia de criarem um estado no oeste paraense, penso que, em certas ocasiões, uma divisão pode trazer benefícios. Quando se têm incompatibilidades administrativas ou culturais que inviabilizam uma boa gestão do território, torna-se viável o desmembramento. Mas certamente o mesmo não tende a ocorrer com o hipotético Tapajós que não terá um PIB suficiente e acabará sobrevivendo das "esmolas" governamentais, conforme falou. Isto se a divisão não contribuir para agravar o desmatamento. E de modo algum Tapajós conseguiria ser um sucesso como Mato Grosso do Sul.

A meu ver, o problema do Pará poderia ser melhor combatido com uma descentralização administrativa que contemple maior autonomia às suas regiões. Foi o que indaguei no artigo de hoje em meu blogue: e se as regiões administrativas pudessem ser tratadas como autarquias territoriais, dando aos cidadãos mais autonomia e democracia para decidir? Pois, assim como a União pode criar os seus territórios, os estados também poderiam buscar uma descentralização geográfica em que as suas unidades regionais passariam a ter um órgão colegiado com poderes deliberativos compostos por representantes eleitos diretamente pelo povo, conforme lei estadual. Seriam as Câmaras Regionais.

Assim como o Território Federal não é um ente federativo, as Regiões Administrativas Estaduais, quando forem dotadas de personalidade jurídica pelo legislador constitucional (através de uma emenda à Carta Magna), passariam a ser regidas por uma Lei Orgânica, cujo projeto seria aprovado pela Câmara Regional e promulgado pela Assembleia Legislativa. O administrador regional poderia ser eleito diretamente ou indicado pelo governador, neste caso com aprovação da Câmara Regional. Já o Poder Judiciário continuaria estadual, assim como os serviços da Defensoria Pública, do Ministério Público e das polícias civil e militar.

Enfim, acredito que existam outras saídas melhores do que o emancipacionismo. Principalmente se o cidadão começar a adotar uma nova postura em relação à política, novos valores de riqueza forem idealizados e todos tornarem-se mais participativos quanto à administração do dinheiro público, acima de tudo aprendendo a agir honestamente e deixando de lado o individualismo para dar lugar à consciência coletiva.

Grande abraço!