domingo, 23 de agosto de 2015

Pombas brancas



Um dos livros mais vendidos no ano de 1969 foi o romance “O Enigma de Andrômeda”, de Michael Crichton, que conta a história de um grupo de cientistas envolvidos no estudo de um micro-organismo que faz o sangue  humano coagular rapidamente, provocando a morte. Embora seja um livro de ficção, O Enigma de Andrômeda é um relato arrepiante da ameaça biológica que determinados organismos podem representar ao sistema imunológico humano, que por nunca ter sido exposto a eles, não tem como combatê-los. No livro os organismos vêm do espaço sideral. Na vida real eles podem ser desenvolvidos na terra mesmo, por meio de atividades biotecnológicas humanas, propositais ou acidentais.
Para ilustrar as possibilidades, alguns anos atrás um grupo de pesquisadores australianos  produziu uma cepa de ectromelia infecciosa, uma variante do vírus da varíola, esperando esterilizar os ratos. De modo geral, a ectromelia infecciosa não representa perigo para os camundongos que participam da experiência, e os cientistas só queriam incrementá-la para esterilizar os roedores. Infelizmente, produziram uma variação do vírus tão letal, que matou até os ratos vacinados contra a moléstia.
Este é um ótimo exemplo de como um erro de cálculo pode criar a cepa de um vírus semelhante à varíola que, se sair dos limites do laboratório, pode causar uma pandemia incontrolável. Principalmente quando pesquisadores, como os australianos, publicam  a fórmula de seus vírus mortíferos em revistas científicas abertas para o mundo ler.]
Um exemplo prático do que deveria acontecer numa escala mais ampla é a epidemia de gripe espanhola após a Primeira Guerra Mundial. Em 1918 uma cepa de gripe surgida nos EUA acabou matando de trinta a cinquenta milhões de pessoas no mundo inteiro no período de um ano. Agora, imagine uma praga ou vírus com o poder de viajar por todo o mundo, como a epidemia de 1918, matando e infectando mais rapidamente. Não há vacina ou antibiótico capaz de combater. Vale salientar que isto poderia acontecer como resultado de processos naturais, não somente via mutação intencional de pesquisadores em laboratórios. Portanto a ameaça de uma pandemia global deixa de ser mero desastre e passa â categoria de verdadeira catástrofe.

2 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Boa tarde, Altamirando.

Acrescente-se que, dentro de algumas décadas, os antibióticos poderão não mais surtir efeito devido ao uso inadequado que se tem feito deles.

Feliz 2016!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Boa tarde, Altamirando.

Acrescente-se que, dentro de algumas décadas, os antibióticos poderão não mais surtir efeito devido ao uso inadequado que se tem feito deles.

Feliz 2016!