terça-feira, 24 de abril de 2012

Anjos e Demonios


A  mente humana tem duas grandes doenças: a necessidade de vingança, que atravessa gerações e a tendência de catalogar as pessoas em grupos, em vez de considerá-las como indivíduos. Os que perdem a liberdade se juntam para vingar do opressor.
A religião de Abraão sancionou firmemente ambas as doenças misturando-as de modo explosivo. Não podemos deixar de relacionar a força divisória que a religião exerce sobre a grande maioria das inimizades violentas do mundo. A disputa, hostil, entre nossas religiões é totalmente estéril. Do ponto de vista da fé, de cada uma, é preferível imitar o comportamento dos antepassados do que encontrar maneiras de descobrir novas verdades no presente.
Existem outras fontes de irracionalidade para além da fé religiosa, mas nenhuma delas é louvada pela sua importância na formação das políticas públicas. Os juízes do Supremo Tribunal Federal não têm por hábito louvar a nação pela sua confiança na astrologia, ou pelo elevado número de discos voadores avistados por seus habitantes, ou por estes serem o exemplo concreto dos vários preconceitos de raciocínio que os psicólogos consideram endêmicos na nossa espécie. Só o dogmatismo religioso tem o apoio incondicional do governo. E, no entanto, a fé religiosa obscurece a incerteza onde a incerteza manifestadamente existe, permitindo que o desconhecido, o implausível e o manifestadamente falso tenham primazia sobre os fatos. O lugar das pessoas que mantêm convicções fortes sem fundamentos é às margens de nossa sociedade, não nos corredores do poder.
Consideremos o atual debate sobre a investigação de células estaminais de embriões humanos e o controle de natalidade numa super população faminta. Ontem eu assisti na TV a um filme baseado no livro “Anjos e Demônios” de autoria de Dan Brown, que é o mesmo autor de “Código Da Vince”, “Fortaleza Digital”, “Ponto de Impacto” e “O Símbolo Perdido”. Me lembrei que em todos os seus livros contém uma histórias mesclada de ficção, ciência e religião. Em “Anjos e Demônios”, Dan Brown faz referência ao maior estabelecimento de pesquisa científica do mundo, o “Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (CERN), situado na Suiça. Em 1999 o LHC (Grande colisor de Hadrons) conseguiu produzir as primeiras partículas de antimatéria que é a fonte de energia mais poderosa conhecida pelo homem. A antimatéria é extremamente instável e incendeia-se ao entrar em contato com qualquer coisa, inclusive o ar. Um único grama de antimatéria contém energia igual à de uma bomba de 20 quilotons. O tamanho da bomba que caiu sobre Hiroshima.
Faz referencias à evolução humana mesclando mistério, sociedades secretas, história da arte e religiosidades no afã de conciliar o científico com o epiritual. Deixando claro que fé e medo não se dão bem. Onde um estiver, o outro não estará. A religião é um dos grandes limitadores de identidade moral já que a maioria dos crentes se diferenciam, em termos morais, daqueles que não partilham de sua fé.
Meus anjos são; a razão, a honestidade e o amor. Meus diabinhos são; a ignorância, o ódio e a religiosidade que é a obra prima de Satã.

11 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Eu havia preparado este texto para publicar na C.P.F.G. como uma pequena alfinetada nos cientificamente desavisados, mas...
"Era uma vez um filme".

Marcio Alves disse...

É MIRANDINHA este seu texto iria dar o que falar ou “digitar” na confraria. rsrsrs
Gostei do “Meus diabinhos são; a ignorância, o ódio e a religiosidade que é a obra prima de Satã”, mas, destes, o maior mesmo, imitando Paulo só que as avessas rsrss, é a religiosidade.
Mas o que seria (ou não seria) do mundo sem a religião ALTAMIRANDO??? Fica ai pra ti, esta fácil pergunta de se responder. Rsrsrs
Depois eu volto para conferir a sua resposta. Rsrsrsrs

Altamirando Macedo disse...

Marcio Alves,
A religião não é um mal necessário. Se ela não existisse, as pessoas que se realizam através dela, encontrariam outras muletas para se apoiarem.
Eu postei este texto na confraria e logo em seguida eu li um comentário do Rodrigo falando que iria postar. Retirei "Anjos e Demônios" e publiquei aqui.O comentário que fiz, ficou lá.

Eduardo Medeiros disse...

Mirandinha, muito bom texto. Aqui ou lá, não importa, ele tem seu valor. (acho que tá na hora dos confrades visitarem mais os blogues dos confrades...rss)

mas vamolá.

A religião de Abrãao? me diz qual era a religião de abrãao. E em que a religião de Abrãao cultivou a "necessidade de vingança"? Será que foi na ocasião onde ele não querendo criar problemas com seu sobrinho disse que iria para o lado oposto de onde ele fosse?

Toda essa questão de matéria e antimatéria é realmente muito interessante.

Achei sua frase incrível:

"a fé religiosa obscurece a incerteza onde a incerteza manifestadamente existe, permitindo que o desconhecido, o implausível e o manifestadamente falso tenham primazia sobre os fatos."

Primeiro por você considerar a existência de uma "incerteza", um "desconhecido".

Quanto ao implausível e manifestamente falso, sua afirmação é verdadeira.

A fé religiosa pode manifestar-se de forma doentia, patológica, dominadora, castrante da criatividade; mas não necessariamente. Para muitos a religiosidade(que eu preferiria trocar pelo termo "espiritualidade") dão um colorido indizível à existência; nem sempre o desconhecido é implausível.

Já fui cético em relação ao convívio da ciência e da religião, mas hoje, acho bem possível tão relação depois de ler os livros do físico brasileiro Marcelo Gleiser (autor dentro outros, da "Dança do Universo")

Deu uma reforma no meu antigo blog que estava meio paradão. aparece lá.

veredasdopensamento.blogspot.com

o nome é legal, diz que não...heeeee

Altamirando Macedo disse...

Edu meu caro,
Fico grato e feliz por receber as visitas com comentarios de amigos.
-- Pertinente suas refutações.
Mas religiosidades, independentes da crença, para mim é o fim da vereda de qualquer pensamento.

Eduardo Medeiros disse...

sempre um bom frasista, esse Mirandinha...rssss

Lembres-e, meu caro, que por exemplo, o cristianismo sempre esteve aberto à discussões teológicas que muito utilizaram a filosofia e a razão; como afirmar que um Tomás de Aquino e um Erasmo de Roterdan não pensavam?

Altamirando Macedo disse...

Edu meu caro,
Eu tenho motivos para não acreditar em religiões com preceitos milenares. Veja nosso amigo Aquino.Ele é conhecido especialmente por harmonizar a razão e a fé ,enquanto mantém a precisa distinção entre os dois: a razão ajuda a descobrir a existência de Deus, mas é insuficiente como guia para as ações humanas, alcançada pela fé, que é necessária para a descoberta de verdades mais elevadas reveladas pelo consentimento Divino. E daí?
Já o outro amigo nosso, eu tenho mais respeito. Erasmo se inseria no panorama cultural como um símbolo da nova era. Num tempo em que os papas insuflavam guerras e acumulavam fortunas e o clero dava fartas mostras de ostentação, hipocrisia e arrogância ele pregava que toda educação saudável é uma educação sem qualquer controle religioso. Apesar de ser um clérigo. A religião é uma muleta para quem não tem prótese.

Eduardo Medeiros disse...

Ok, mais não estou pedindo para você acreditar em nenhuma religião com preceito milenar. Só dei um exemplo que a reflexão, o debate, a razão, sempre estiveram presentes nos debates teológicos cristãos. Aquino deu os primeiros passos para abrir a reflexão teológica à razão e à ciência. Isso foi um feito interessante. Mas concordo que Erasmo foi superior à Aquino.
Mas prá quê estamos discutindo isso: E daí?

Altamirando Macedo disse...

Edu meu caro
Foi você que abriu a discussão para a religiosidade de Aquino e Erasmo, se tivesse sido sobre briga de galos eu teria acompanhado também. Eu conheci um galo tuso chamado "Aquino" que...

MIRANDA disse...

Como sempre, muito bom texto. Mas me deixe quetioná-lo: você não acredita em sobrenatural não é mesmo? Esta estória de anjinho e diabinho é ótima.
Abraço meu nobre.

Altamirando Macedo disse...

Meu amigo Miranda, eu só acredito naquilo que se move e faz sombra. Na sombra natural, também. He, he, he...
Obrigado pela visita.