sábado, 6 de fevereiro de 2010

Distração


O Bernardo era um jovem Geólogo que prestava serviços para uma multi-nacional em regime de folgas no interior do estado, era casado com Helena, formavam um casal bonito e apaixonado. No entanto, por culpa da sua alta taxa de testosterona, o Bernardo gostava de pular a cerca.

Numa destas folgas programada para sexta feira, o Bernardo, via telefone, combina o final de semana com uma tremenda gata. E não deu outra! Bernardo lavou a égua.

Às 11:00 da manhã de domingo, chegando em frente ao edifício onde mora, Bernardo reconhece Helena

acompanhada da mãe, sua sogra, saindo pela portaria do prédio. Ele estaciona o carro na calçada e com cara de cachorro sem dono beija Helena, perguntando:

-O que houve? Vim às pressas para o almoço na casa da sua mãe. Porque ela está aqui?

Helena passa a mão pela cintura de Bernardo e chorosa responde:

-Minha mãe passou mal e ontem eu a trouxe comigo. Agora ela está ruim de novo e eu estou indo para o hospital com ela.

O Bernardo, afável, se interessa:

-Mas... o que ela sente?

É a velha quem responde balbuciando:

-Dói tudo, até os dedos dos pés.

O Bernardo, já conduzindo as duas para seu carro, retruca:

-Doença de sogras. Deve ser leptospira ou toxoplasmose, vamos a um especialista.

Seguem rumo ao hospital;

Bernardo conduzindo, Helena ao seu lado e a velha, refestelada no banco trazeiro como se estivesse em sua casa. Em dado momento, o Bernardo vê um sapato tipo Anabela entre seu banco e o da Helena, bem ao lado do freio de estacionamento. Deu ¨um branco¨ no Bernardo e seu coração foi de zero a cem em dois segundos. Tentou manter a calma e deu um pequeno golpe no volante dizendo para Helena:

-Acho que temos um pneu furado. O carro está balançando, vou aguardar o próximo sinal vermelho e aí você abre sua porta e, sem sair, verifique os pneus do seu lado, tá?

E assim fizeram. Enquanto Helena se curvava para verificar os pneus, o Bernardo, rapidamente, trocava o sapato de lugar, podo-o entre seu banco e a porta. O sinal muda de cor, dando pista livre para Bernardo, enquanto Helena fecha a porta dizendo:

-Do meu lado, está tudo azul com bolinhas da mesma cor.

Bernardo continua tenso, com respiração ofegante e diz:

-Então o problema está do meu lado. Vou verificar, no próximo sinal.

Bernardo parou no sinal, abriu a porta e esmagou o sapato com a mão direita e a língua entre os dentes jogando-o sob o carro. fechou a porta e sem uma palavra segurou o volante com as duas mãos. Pôe fim ao filme de terror que passava em sua mente e sem se aperceber dá um longo suspiro. Helena, sem entender, comenta:

-Há algum problema?

Bernardo solta o resto de ar dos pulmões e diz:

- Não. O que poderia ser já foi sanado.

Chegando ao hospital são recebidos por familiares, que já os aguardavam, enquanto Helena tenta ajudar sua mãe a sair do veículo e encontrando resistência, retruca:

-Mãe...Essa não!. Medo de médico, agora, não!..Não e não.

A velha responde para a filha:

-Não é nada disso. Posso estar com leptospirose,toxoplasmose ou seja o diabo que fôr, mas doida não.

Cadê o meu sapato?

Ninguém viu a cara do Bernardo.

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