domingo, 5 de julho de 2009

Os dez mandamentos


Os dez mandamentos é a única passagem bíblica em que o criador sentiu necessidade de escrever pessoalmente suas leis. Com fogo as imprimiu na pedra.
Poderíamos esperar que fossem mais profundas e grandiosas.
Os seus dez mandamentos principais não aparecem como uma lista organizada de ordens e obrigações. Os três primeiros, sem necessidade de citar, são variações do mesmo, nos quais Deus insiste em seu próprio primado, sua exclusividade, auto-afirmação e egoísmo. Nega a idéia moral de que as crianças são inocentes dos crimes dos seus pais castigando-os até a quarta geração. O quarto mandamento determina a proibição do trabalho aos sábados. Um dia após o término da criação abrindo espaço para especulações quanto ao oitavo dia. Como se tudo tivesse sido feito as pressas. A desobediência de qualquer um seria punida com a morte.
Podemos nos perguntar até que ponto esses preceitos são vitais para a manutenção da civilização.
O quinto exige que honre teu pai e tua mãe não pelo seu valor em si mas afim de que “se prolongue os dias na terra que o senhor teu Deus te dá”. Como se fosse um melzinho na chupeta. Gastou fogo à toa.
Do sexto ao nono de fato trata-se da moral. Aí vêm os famosos nãos que proíbem explicitamente assassinatos, adultério, roubo e falso testemunho, justificando o uso da Bíblia em tribunais onde o cristianismo é o credo.
Finalmente, o décimo que deveria ser a maior de suas preocupações e conhecimentos, é um veto à cobiça, proibindo o desejo por casa, escravos, bois, jumentos e outros bens do teu próximo.
Seria difícil encontrar maior prova de que a religião é criação do homem.
Admoestações desse tipo são encontradas em praticamente todas as culturas na história humana registrada. Não há nada especialmente incisivo na maneira como são apresentadas na Bíblia. Ela é uma história do que não aconteceu, escrita por alguém que não esteve lá.
Existem razões biológicas óbvias pelas quais as pessoas tendem a tratar bem seus pais e a fazerem mau juízo dos assassinos, adúlteros, ladrões e mentirosos. É um fato científico que precede qualquer contato com as escrituras.
Estudos sobre o comportamento dos macacos revelam que estas emoções são anteriores a existência da própria humanidade. Os chimpanzés, em especial, demonstram muitas das complexas preocupações sociais que esperaríamos encontrar em nossos semelhantes, inclusive nos mais próximos.
Os primatas, “nossos primos”, demonstram parcialidade para com sua própria família ou tribo, e de modo geral não toleram o assassinato e o roubo. Também não gostam de trapaças nem de traições sexuais. Até os símios se submetem a privações extraordinárias para evitar o sofrimento de outros membros de sua espécie. A preocupação com o outro não foi inventada por nenhum profeta.
É inadmissível pensar que o criador do nosso universo, ao encerrar seu tratado, não conseguiu pensar em nenhuma preocupação humana mais premente e duradoura do que cobiçar escravos e animais domésticos.
Com um pouco mais de inteligência seria possível melhorar os dez mandamentos como afirmação de moralidade. Bastaria uma frase simplificada: não fazer ao próximo o que não aceitasse ser feito a si próprio.
Mahauira, o patriarca jainista, superou a moralidade bíblica com uma única frase: “Não ferir, abusar, oprimir, escravizar, insultar, atormentar, torturar ou matar nenhuma criatura ou ser vivo”.
Os cristãos, abusaram, oprimiram, escravizaram, insultaram, atormentaram, torturaram e mataram seus semelhantes durante séculos em nome de Deus, com base em uma leitura teologicamente defensável da bíblia.
É impossível se comportar dessa maneira aderindo aos princípios do Jainismo.
Como, então, argumentar que a Bíblia oferece a expressão mais clara da moralidade?
Se existem leis psicológicas que governam o bem-estar humano, conhecer essas leis nos proporcionaria uma base duradoura para uma moralidade objetiva sem requerer a existência de um Deus legislador.

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